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Lula vai à África oferecer ajuda e ampliar parcerias | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca neste domingo à noite para uma visita de quatro dias a três países no oeste da África, onde deve prometer a reativação de acordos de cooperação já firmados anteriormente, assinar novos acordos nas áreas de saúde, educação e turismo, e prospectar oportunidades de negócios e comércio para empresas brasileiras. Diferente da primeira visita que fez ao continente, em novembro do ano passado, desta vez Lula viaja com uma comitiva menor, de cinco ministros e dois deputados, e leva menos promessas na bagagem. Dos 31 acordos de cooperação assinados naquela ocasião com os cinco países visitados, dois terços ainda não foram colocados em prática, segundo avaliação do Ministério das Relações Exteriores. Viajam com o presidente o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim; da Educação, Tarso Genro; da Saúde, Humberto Costa; da Ciência e Tecnologia, Eduardo Campos; e a secretária especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, além dos deputados Vicentinho e Paes Landim. A visita começa em São Tomé e Príncipe, mesmo local da primeira viagem. CPLP Desta vez, o presidente Lula participa da reunião de cúpula dos chefes de Estado e de Governo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), formado por Brasil, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste. O Brasil era o presidente da organização nos últimos dois anos e ajudou São Tomé, o menor país do grupo, a organizar a conferência. O presidente chega na manhã desta segunda-feira e almoça com os ministros brasileiros no hotel em que ficará hospedados. O primeiro compromisso de Lula é uma reunião com o presidente de São Tomé e Príncipe, Fradique de Menezes, no Palácio do Governo. Em seguida, ele tem um encontro com o presidente de Portugal, Jorge Sampaio, que também está na cidade para a reunião da CPLP. No fim da tarde, Lula participa da sessão inaugural da conferência, da sessão de gala e do banquete oficial oferecido pelo presidente são-tomense aos outros líderes. Na conferência, o presidente brasileiro vai propor um acordo de preferência tarifária para facilitar a importação de produtos dos países da CPLP (com exceção de Portugal) pelo Mercosul, e uma maneira de aceleraçar a entrada em vigor do Acordo Orotográfico da Língua Portuguesa, aprovado em 1990 e nunca colocado em prática. Na Declaração de São Tomé, que será divulgada ao fim da reunião, os membros da CLPL devem reafirmar o apoio ao pleito do Brasil de uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU. Interesses no Gabão Lula fica pouco mais de um dia em São Tomé – na visita anterior, ficou apenas sete horas. Já na terça-feira, depois das sessões de trabalho e de encerramento da CPLP, embarca na hora do almoço para o Gabão, a segunda etapa da viagem. Ex-colônia francesa governada pelo mesmo presidente há 37 anos, a visita ao Gabão é a tentativa do governo brasileiro de abrir uma nova área de influência na África de língua francesa. O presidente Lula retribui a visita feita ao Brasil pelo presidente do Gabão, Omar Bongo, em 2002. Lula será o quarto chefe de Estado a fazer uma visita oficial ao país africano nos últimos dez anos. Mas o interesse no Gabão é principalmente econômico. A Companhia Vale do Rio Doce já tem um investimento no país. Daqui a três anos, quando o projeto estiver em operação, deve dobrar a produção de manganês do Gabão e torná-lo líder mundial na exportação do minério. O país também tem importantes jazidas de minério de ferro e bauxita. O Gabão também é membro da Comunidade Econômica dos Estados da África Central (CEEAC), um mercado de 118 milhões de habitantes. Cabo Verde A última etapa da viagem é o arquipélago de Cabo Verde, para onde o presidente embarca na quarta-feira à tarde e onde fica até o retorno ao Brasil, no dia seguinte. Lula deve inaugurar em Cabo Verde um telecentro (uma espécie de internet-café com acesso gratuito à população) doado pelo Brasil e assinar acordos para ampliar a cooperação entre os dois países na área de educação. Cerca de mil caboverdianos estudam em universidades brasileiras atualmente. Lula e o presidente caboveridano, Pedro Pires, também devem assinar um acordo para aumentar o número de vôos entre os dois países. Atualmente existe um vôo semanal entre a Ilha do Sal, a ilha mais turística do arquipélago, e Fortaleza, um trajeto de apenas quatro horas. Um grupo de 15 empresários interessados em exportar para os países acompanha o presidente nas visitas ao Gabão e a Cabo Verde. |
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