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UE vê que é hora de melhorar ofertas agrícolas ao Mercosul, diz negociador | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O negociador chefe do Mercosul, o brasileiro Regis Arslanian, afirmou nesta segunda-feira em Bruxelas que o próprio comissário europeu para o Comércio, Pascal Lamy, reconhece os avanços feitos nas ofertas apresentadas pelo bloco integrado pelo Brasil. “Lamy reconhece inclusive que é o momento da Europa rever a oferta para o setor agrícola”, disse Arslanian, no início de uma semana de negociações consideradas decisivas entre a União Européia (UE) e o Mercosul. Os dois blocos estão tentando eliminar divergências para que um acordo de livre comércio possa ser assinado até outubro - quando se conclui o mandato da atual Comissão Européia. Tanto o negociador brasileiro quanto o vice-chanceler argentino, Martín Redrado, preferiram não falar sobre o que exatamente foi negociado neste primeiro dia da rodada de entendimentos. “Este é um momento muito decisivo, pois faltam apenas dois meses para se fechar o acordo. Não podemos abrir sobre o toma lá, dá cá”, explicou Arslanian. Pesca Segundo Antonio Donizeti Beraldo, representante da CNA (Confederação Nacional da Agricultura), o agronegócio brasileiro espera que o acordo com a UE aumente suas exportações em US$ 2,5 bilhões, um adicional de 35% aos números atuais. Com relação ao setor pesqueiro, Redrado informou que o mercado da pesca deverá ser liberalizado com reciprocidade entre os dois blocos em dez anos - o que é uma boa notícia para o seu país, mas não especialmente para o Brasil. A Argentina exporta um total de US$ 1,2 bilhão em peixes e frutos do mar, a metade do valor para a UE. É um número mais significativo que a carne bovina (US$ 300 milhões para a UE). O Brasil, além de importar mais do que exporta, tem nesse mercado números quase insignificantes. Os europeus aceitaram também em acabar com o subsídio à exportação (somente para os países do Mercosul) dos produtos que o bloco sul-americano também produz. “Isso é uma boa notícia, mas costuma ser praxe nas negociações birregionais”, explicou Arslanian. Circulação de produtos Por outro lado, a UE quer saber mais sobre as ofertas do Mercosul para compras governamentais – as licitações públicas – e sobre como se poderá garantir a livre circulação de seus produtos dentro dos quatro países do bloco integrado pelo Brasil. O Mercosul prevê uma união aduaneira com uma só tarifa para os produtos estrangeiros, mas a livre circulação dentro das quatro economias ainda não ocorre plenamente - como ficou claro no episódio das geladeiras envolvendo o Brasil e a Argentina. A partir de agora, a dois meses da data prevista para a assinatura do acordo, as negociações entre os dois blocos deverão se intensificar. Mesmo sendo agosto um mês de férias para os europeus, os técnicos da UE aceitaram se reunir com os representantes do Mercosul em Brasília. Depois, em setembro, deverão acontecer duas outras reuniões técnicas em Bruxelas e no Brasil, que preside o Mercosul neste período. |
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