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Japão lança ultimato sobre caça às baleias | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O Japão estabeleceu o ano de 2006 como prazo final para deixar a Comissão Internacional de Caça às Baleias (IWC, na sigla em inglês) caso continue insatisfeito com as decisões da organização. O país lidera o grupo de países a favor da caça, que ainda é minoritário na comissão, mas se fortalece progressivamente. Um membro da delegação japonesa na reunião anual da IWC que começou nesta segunda-feira em Sorrento, na Itália, disse à BBC que o país não pode esperar muito mais tempo. É a primeira vez que o Japão estabelece um prazo para cumprir suas ameaças anuais de se retirar da IWC - orgão que, desde 1986, mantém a proibição da caça para fins comerciais. Votação O parlamentar Yoshimasa Hayashi, do governo do Partido Liberal Democrata, preside uma comissão criada para discutir a posição do Japão na IWC. Os integrantes do grupo disseram no início do ano que estavam preparados para deixar a IWC e criar uma aliança pró-caça. “Meus eleitores me perguntam por que o Japão continua membro da comissão. (A IWC) prometeu que em 1990 iria rever a moratória sobre caça para fins comerciais estabelecida em 1986, mas nada foi feito”, disse Hayashi à BBC. A pequena maioria da facção anticaça pode ser finalmente derrubada na reunião em Sorrento. Mas mesmo que os paises pró-caça, liderados por Japão, Noruega e Islândia, consigam uma maioria simples, isto terá maior importância política do que prática, já que a decisão de dar fim à moratória requer uma maioria de 75% dos votos. “Se conseguirmos uma maioria, será um bom sinal”, disse Hayashi. “Bichos de estimação” O parlamentar disse que a facção pró-caça tentaria mudar a proposta da IWC para incluir não só a conservação, mas também a pesca sustentável das baleias. Segundo ele, os que se opõem à caça vêem as baleias como bichos de estimação. “Eles sabem que os estoques de muitas variedades de baleias são abundantes. No Japão, temos cachorros de estimação. Mas não dizemos aos coreanos que parem de comer cachorros. E as pessoas não devem nos dizer para parar de comer baleias”, acrescentou. O Japão mata atualmente vários tipos de baleia para fazer o que o país chama de pesquisa científica. O chefe da delegação japonesa em Sorrento, Minoru Morimoto, disse que o país continuará a caçar os cetáceos na Antártida e no Pacífico Norte. A Noruega, por sua vez, diz que por volta de 2008 planeja aumentar sua pesca anual de baleias Minke no Atlântico Norte, hoje totalizando entre 600 e 700 animais, para, possivelmente, 1.800. Como a Noruega não concordou com a moratória quando foi estabelecida, o país não tem a obrigação de respeitá-la. Grupos que fazem campanha pela conservação das baleias presentes à reunião em Sorrento dizem que o Japão vai obter maioria na IWC somente com a compra de votos de nações pequenas, o que o país nega. |
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