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Ações de empresas socialmente responsáveis se valorizam mais Na Bolsa de Valores de Nova York, o índice Dow Jones Sustainability, que reúne empresas socialmente responsáveis, se valorizou 44% de dezembro de 1993 a fevereiro de 2003. No mesmo período o Dow Jones comum, que reúne as outras empresas, teve uma alta menor, de 21%. Os dados são da empresa de consultoria Value Partners, que também mostra os percentuais da Bolsa de Londres para afirmar que ser responsável socialmente é um bom negócio: enquanto o FTSE4Good, outro índice que reúne empresas socialmente responsáveis, subiu 32% de julho de 1996 a fevereiro de 2003, o FTSE, que reúne as outras empresas, teve uma alta de apenas 3% no mesmo período. “A responsabilidade social é um fator que pesa na hora de o investidor decidir onde vai pôr o seu dinheiro”, afirma Paolo Guidelli, sócio da Value Partners. “Ele quer saber se a empresa respeita o meio ambiente, se cuida do lado social. Não é apenas uma questão ética, mas isso interessa aos negócios”, diz. Moral Guidelli afirma que tanto o Dow Jones quanto o FTSE seguem padrões objetivos para avaliar o comportamento de uma empresa, como número de reclamações trabalhistas e processos por danos ambientais. Dois casos são muito comentados por especialistas em responsabilidade social de empresas como exemplos de comportamentos negativos que tiveram impacto nos negócios: o derramamento de petróleo pelo navio Exxon Valdez no Alasca, em 1989, e o escândalo da Enron, no ano passado. “Depois do caso da Enron, o tema da moral nos negócios deixou de ser abstrato”, diz Guidelli, referindo-se ao escândalo de falência da empresa de energia em meio a fraudes contábeis. Com o acidente no Alasca, em que 11 milhões de galões de petróleo foram derramados, matando mais de 250 mil animais, entre aves, peixes, focas e baleias, as ações da companhia caíram nas bolsas. E muitos consumidores deixaram de abastecer seus carros em postos da empresa, como forma de protesto. “O maior bem de uma empresa é a sua imagem. Os consumidores desse posto de gasolina não estão apenas nos Estados Unidos ou no Brasil, mas no mundo todo. Depois do acidente, a empresa passou a pagar anúncios dizendo que está preocupada com o meio ambiente”, afirma Judi Cavalcante, diretor-executivo adjunto do Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (Gife). Perda de imagem Guidelli também toca na palavra "imagem" ao afirmar que empresas que produzem bens considerados socialmente negativos, como fumo, bebidas alcoólicas e armas, não são muito bem vistas. “Não são questões do tipo moral, mas do tipo financeiro. Elas podem ser objeto de reclamações na Justiça e, conseqüentemente, ter perda de imagem.” A Bolsa de São Paulo não tem um índice específico para empresas socialmente responsáveis. Mas tem algo próximo, o Índice de Governança Corporativa (IGC), que reúne empresas que se adequam a regras de transparência e respeito ao acionista. Em 2002, enquanto o Bovespa caiu 17%, o IGC subiu 1,5%. “Historicamente, ele tem ficado acima do Bovespa desde sua criação, em junho de 2001. Não temos um índice só para empresas socialmente responsáveis porque teríamos que ter um parceiro para fazer essa avaliação. Lá fora as bolsas têm parceiros para isso”, diz Ricardo Pinto Nogueira, diretor de operações da Bolsa de São Paulo. Transparência Para fazer parte desse índice, as empresas têm que cumprir requisitos como prestar boas informações aos acionistas e ser transparentes.
Apesar de o IGC ter um desempenho melhor na bolsa, nem todas querem fazer parte dele. “Nem todo mundo quer ser transparente. As empresas que são responsáveis são mais transparentes. A longo prazo todo mundo vai saber como elas realmente são”, afirma Pinto Nogueira. Outras querem fazer parte do índice, mas não conseguem. O Banco do Brasil, por exemplo, tentou entrar, mas não atendia ao requisito segundo o qual um controlador não pode ter mais de 75% das ações. O governo federal possui 85% do banco. Pelo mesmo motivo, a Souza Cruz também ficou de fora. A British American Tobacco tem 76,5% do controle da empresa. O fato de ser uma empresa de fumo não tem importância, segundo Pinto Nogueira. “A Souza Cruz distribuiu R$ 4 bilhões em dividendos nos últimos anos. Ela foi eleita pelos analistas a melhor empresa de relacionamento com os investidores”, diz. |
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