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Lavagna nega guerra comercial com Brasil | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O ministro da Economia da Argentina, Roberto Lavagna, disse nesta terça-feira que não há uma guerra comercial entre seu país e o Brasil – apesar das informações de que empresários argentinos querem ampliar a lista de produtos brasileiros que poderiam passar a ter mais dificuldades para entrar na Argentina. Falando à BBC Brasil, empresários da União Industrial Argentina (UIA) adiantaram que pensam em propor restrições à importação de pelo menos 11 produtos fabricados no Brasil, além de eletrodomésticos – cujas barreiras foram anunciadas pela Argentina na semana passada. O empresário Carlos Bueno, que é do setor de calçados e da comissão diretiva da UIA, confirmou que essa lista inclui carros, motocicletas, bicicletas, papel, carne de porco, sapatos, autopeças, componentes metalúrgicos e indumentária. "Há medidas legais e inclusive o Brasil possui portaria que permite que três mil produtos adotem medidas não automáticas de importação", afirmou Lavagna, referindo-se à medida burocrática anunciada pelo governo argentino contra a entrada de eletrodomésticos brasileiros. Sobressaltos O ministro disse que espera que as medidas sejam suspensas a partir de um acordo entre a iniciativa privada dos dois países. No caso dos automóveis, não existe disposição das montadoras de transferir do Brasil para a Argentina a fabricação de carros pequenos, os mais consumidos pela classe média, como deseja Lavagna. Segundo dados preliminares da Associação das Concessionárias Argentinas, cerca de 60% dos carros vendidos no país são de origem brasileira. Na opinião de Carlos Bueno, os problemas comerciais entre os dois países não são setoriais, mas macroeconômicos. Ele lembrou que o Brasil produz em maior escala que a Argentina, que os salários dos argentinos costumam ser mais altos que os dos brasileiros e os empresários contam com apoio e promoção industrial dos Estados, principalmente no Nordeste. Nesta quinta-feira, no encontro entre os secretários Marcio Fortes, do Ministério do Desenvolvimento, e Alberto Dumont, da secretaria de Indústria da Argentina, com a participação de empresários, vai se tentar chegar a um acordo sobre a venda para o mercado argentino de fogões, geladeiras e máquinas de lavar roupa brasileiros. Queda Autoridades da Secretaria de Indústria informaram à BBC Brasil que o encontro deverá durar dois dias e deverá servir para tratar as diferenças entre pelo menos três setores: eletrodomésticos, automóveis e máquinas agrícolas. A expectativa da iniciativa privada do país vizinho é que a importação de eletrodomésticos brasileiros caia 50%, mesmo antes da aplicação das barreiras protecionistas, anunciadas na semana passada pelo ministro Roberto Lavagna. Logo depois do anúncio, a poucas horas do encontro de cúpula do Mercosul, o Ministério da Economia da Argentina informava que as medidas já estavam em vigor. Somente mais tarde, o próprio Lavagna disse que ela dependeria de regulamentação, o que "não impediria", segundo ele, a aplicação das barreiras comerciais. É nesse clima de disputas e novas confusões que os ministros Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento) e Roberto Lavagna reúnem-se na quarta-feira, dia 21, também em Buenos Aires. |
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