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Atualizado às: 22 de abril, 2007 - 09h56 GMT (06h56 Brasília)
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Observadores pedem anulação de eleição na Nigéria
Eleitores fazem fila na Nigéria
Em alguns locais, não houve cédulas para todos os eleitores
O principal grupo de observadores eleitorais da Nigéria, Transition Monitoring Group, disse neste domingo que pedirá a anulação das eleições presidenciais e parlamentares que começou no sábado, marcadas por atrasos e violência.

Em entrevista à agência Reuters, o presidente da organização, Innocent Chukwuma, disse:

"Pediremos a realização de novas eleições. Não se pode usar o resultado de apenas metade do país para anunciar um novo presidente."

"Em muitas partes do país, as eleições não começaram a tempo, ou nem sequer começaram."

As críticas reforçam as do chefe da missão européia, Max van den Berg, que um dia antes atacou a falta de numeração em muitas cédulas eleitorais.

"Se um grupo de cédulas não vem dentro de um grupo de centenas, como é possível identificá-las? Não me parece bem", ele questionou, indicando que pode ter havido fraude maciça nas eleições.

No processo eleitoral, histórico porque é a primeira vez que um presidente eleito passa o poder a outro na Nigéria, mais de 61 milhões de pessoas estavam habilitadas a votar.

Mas observadores expressaram preocupação de que a grande expectativa gerada pela votação se transforme em desapontamento e fomente violência entre rivais políticos.

Violência

Pelo menos 11 pessoas morreram ao longo do sábado, incluindo sete policiais que escoltavam autoridades e material eleitoral no estado de Nassarawa, no centro do país.

Outras quatro pessoas foram mortas quando a polícia abriu fogo contra uma multidão no estado de Katsina, base eleitoral do candidato da situação, Umaru Ya'Adua, e de um de seus principais adversários, Muhammadu Buhari.

Distribuição de cédulas na Nigéria
Infra-estrutura precária dificulta distribuição de cédulas eleitorais

Entre os mortos neste incidente estava uma criança.

Segundo o correspondente da BBC em Abuja, David Bamford, a tensão atingiu seu ápice em áreas do país onde o apoio à oposição é maior, e naquelas em que não houve cédulas para todos os eleitores.

Em Kano - que foi palco de confrontos entre islâmicos e o Exército no começo da semana - homens com armas e cutelos roubaram urnas.

David Bamford relata que homens disfarçados de policiais seqüestraram autoridades eleitorais no estado de Ondo.

'Sucesso'

No estado de Lagos, poucos compareceram à votação e os que foram votar receberam a informação de que a eleição parlamentar tinha sido cancelada devido a erros na cédula.

Em alguns estados do sudeste da Nigéria quase não houve comparecimento devido aos atrasos.

Mas no final do dia, o presidente da comissão eleitoral, Maurice Iwu, afirmou que as eleições foram um "sucesso".

"Tivemos algumas questões aqui e ali. Acreditamos que, com o tempo, as pessoas vão perceber que mesmo que tenha ocorrido um grande problema em alguns lugares, isto não afetaria o resultado da eleição", disse.

O candidato de oposição, Muhammadu Buhari, afirmou que a votação deste sábado não poderia ser considerada como uma eleição, pois ocorreram muitos abusos.

Cartazes de candidato na NigériaÁfrica
Em meio à violência, nigerianos votam em eleição histórica.
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