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Em meio à violência, nigerianos votam em eleição histórica | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Os 60 milhões de eleitores da Nigéria vão às urnas neste sábado para escolher um novo presidente. É a primeira vez que um presidente eleito pelo povo sucederá outro escolhido democraticamente desde a independência do país, em 1960. Vinte quatro candidatos disputam a sucessão do atual presidente Olusegun Obasanjo, mas apenas três têm chances reais no pleito: o candidato do governo Umaru Yar'Adua, o ex-chefe de Estado Muhammadu Buhari e o vice-presidente do país e oposicionista Atiku Abubakar. Uma das principais preocupações das autoridades eleitorais e dos observadores internacionais é a violência. Na semana passada, durante eleições para os governos estaduais, até mesmo o atual presidente reconheceu que houve violência e fraudes. Obasanjo pediu que as autoridades eleitorais reforcem a segurança no pleito de sábado. A Nigéria é o país mais populoso da África e um dos maiores produtores mundiais de petróleo. Mas, apesar da riqueza do país em petróleo, dezenas de milhões de pessoas vivem na pobreza. Violência e irregularidades O pleito estadual, no sábado, foi marcado por violência, mortes e brigas entre cabos eleitorais rivais. Na cidade de Port Harcourt, três delegacias de polícia foram queimadas. Na conflituosa região do Delta do Níger, uma escalada de violência matou vários policiais e devastou alguns postos de votação. Além da violência, há denúncias de irregularidades em diversos pleitos. Um relatório da Anistia Internacional e de ONGs nigerianas disse que violência e abusos de direitos humanos foram "a marca das eleições nigerianas". Observadores internacionais já alertaram que muitas votações terão de ser refeitas em vários dos 36 Estados da Nigéria. Para piorar a situação, a Comissão Eleitoral Nacional Independente (Inec, na sigla em inglês) anunciou nesta sexta-feira que muitas das cédulas de papel que serão usadas no pleito ainda não haviam chegado ao país.
Candidatos O favorito na disputa é o candidato do Partido Democrático do Povo (PDP), Umaru Musa Yar'Adua, que tem o apoio do presidente Obasanjo. O PDP foi o partido mais vitorioso nas eleições estaduais do último dia 14. Governador do Estado de Katsina, Yar'Adua é um dos poucos governadores que não está sendo investigado por corrupção. Se eleito, o político de 56 anos – considerado um esquerdista moderado – se tornará o primeiro presidente nigeriano com diploma universitário. Outro candidato do Estado de Katsina é o ex-chefe de Estado nigeriano Muhammadu Buhari, do Partido de Todos os Povos (ANPP, em inglês). Buhari foi derrotado por Obasanjo nas eleições de 2003 e perdeu bastante espaço em seu partido, mas conseguiu recuperar sua influência para liderar neste ano a chapa do ANPP, o maior partido de oposição da Nigéria. Ele é conhecido por suas fortes idéias religiosas. O terceiro candidato com chances é o vice-presidente Atiku Abukakar, do Congresso Ação (AC, em inglês). Abukakar rompeu com o presidente depois de ter sido acusado de desviar US$ 125 milhões em negócios pessoais. Temas Para evitar um segundo turno de eleições, o candidato vencedor precisa receber a maioria dos votos e ter pelo menos 25% de aprovação em 24 dos 36 Estados nigerianos. Entre os principais temas da campanha estão segurança e pobreza. A situação mais grave é no Delta do Níger, onde ficam 90% das riquezas de petróleo e gás do país. Em fevereiro, o Movimento pela Emancipação do Delta do Níger (Mend, em inglês) – um movimento ligado a grupos paramilitares – divulgou um comunicado em que ameaça entrar em guerra. Na questão da pobreza, a Nigéria tem alguns dos piores indicadores sociais do mundo. Um em cada cinco crianças morre antes de atingirem os cinco anos. Há dois milhões de órfãos devido à Aids. Mais de 54% dos nigerianos - ou 77 milhões - vivem abaixo da linha da pobreza, e a expectativa de vida no país é de 47 anos.
Legado de Obasanjo Pela primeira vez, desde 1960, a Nigéria passou por oito anos ininterruptos de regime democrático. Em 1999, quando Obasanjo chegou ao poder, poucos acreditavam que ele completaria seu mandato. Logo na chegada ao poder, o presidente aposentou diversos líderes militares que haviam participado de governos anteriores, dando um claro sinal de que o exército teria pouca chance de derrubar o governo. Um dos principais temas do governo de Obasanjo foi o combate à corrupção. O governo criou a Comissão de Crimes Econômicos e Financeiros (EFCC, em inglês), que investigou e indiciou dezenas de figuras públicas e privadas. Na véspera das eleições, a EFCC foi acusada de "investigações seletivas" contra opositores do governo. As reformas econômicas do governo também foram um dos principais temas da campanha. Apesar de receber elogios fora da Nigéria, o programa é muito criticado no país, devido à altos índices de desemprego e inflação. | NOTÍCIAS RELACIONADAS Políticos desviaram US$ 400 bi na Nigéria, diz comissão11 de agosto, 2006 | Notícias Nigéria permite extradição de ex-líder da Libéria25 de março, 2006 | Notícias Corrupção custa à África '1/4 do PIB', diz líder nigeriano17 de fevereiro, 2006 | Notícias Paz em Darfur não pode fracassar, diz Nigéria23 de agosto, 2004 | Notícias Nigéria pode oferecer asilo a presidente liberiano06 de julho, 2003 | Notícias Africanos criticam atuação do G-8 na redução de dívidas externas02 de junho, 2003 | Economia Observadores condenam eleições legislativas na Nigéria05 de maio, 2003 | Notícias Olosegun Obasanjo é reeleito presidente da Nigéria22 de abril, 2003 | Notícias LINKS EXTERNOS A BBC não se responsabiliza pelo conteúdo dos links externos indicados. | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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