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Atualizado às: 12 de abril, 2007 - 05h51 GMT (02h51 Brasília)
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Premiê chinês busca reconciliação com o Japão sobre 2ª Guerra
O primeiro-ministro da China, Wen Jiabao, e o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe
Wen Jiabao (à esquerda, com Shinzo Abe) fez discurso histórico no parlamento japonês
Em um discurso histórico no parlamento japonês, o primeiro-ministro da China, Wen Jiabao, pediu que o Japão enfrente as suas ações durante a Segunda Guerra Mundial. O discurso foi o primeiro feito por um premiê chinês no parlamento japonês, o Diet.

Wen disse que as invasões japonesas entre os anos de 1930 e 1940 causaram "tremenda dor" ao povo chinês e pediu que as desculpas do Japão sejam reforçadas por ações concretas.

"As invasões japonesas causaram danos terríveis aos chineses. As profundas cicatrizes deixadas nos corações dos chineses não podem ser descritas", disse.

Segundo o correspondente da BBC em Tóqui Chris Hogg, alguns analistas interpretaram o discurso como um alerta a Abe para que não visite o templo de Yasukuni, que honra alguns generais considerados criminosos de guerra pelos chineses.

As diversas visitas do antecessor de Abe, Junichiro Koizumi, ao santuário levaram os chineses a recusar negociações bilaterais com ele.

No entanto, Wen disse que a culpa (pelas invasões) era de apenas alguns líderes militares e que a maioria dos japoneses também era vítima da guerra.

Nos últimos anos, os dois países têm enfrentado desavenças devido à agressção japonesa durante a Segunda Guerra, e a China já acusou o Japão várias vezes de não reparar as suas ações.

A visita de Wen ao Japão - a primeira de um premiê chinês em sete anos - é vista como um passo importante para superar os problemas do passado e reforçar os laços entre os dois países.

Em outubro do ano passado, o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, visitou Pequim.

Amizade e cooperação

Wen iniciou o seu discurso ressaltando que quer promover a amizade e a cooperação entre a China e o Japão, mas na maior parte do tempo se concentrou nas dificuldades que os dois países enfrentam devido à sua história em comum.

Apesar da menção ao passado, Wen foi otimista sobre as perspectivas para as relações futuras entre os dois países, segundo Hogg.

"O povo chinês quer viver em amizade com o povo japonês", disse Wen, apesar da "calamidade" da invasão japonesa à China durante a Segunda Guerra Mundial.

Wen disse ainda que espera que os dois países consigam encontrar uma solução pacífica para a disputa sobre a propriedade das reservas de gás e petróleo no Mar da China.

Afirmou também que o desenvolvimento econômico é uma oportunidade, e não uma ameaça.

O correspondente da BBC disse que a visita começou bem, com a assinatura de acordos para o intercâmbio de tecnologias para economizar energia e enfrentar questões ambientais como as mudanças climáticas.

A China também concordou em retomar as importações de arroz do Japão.

Nesta quinta-feira, Wen será recebido pelo imperador e pela imperatriz do Japão no Palácio Imperial, antes de almoçar com líderes empresariais.

À noite, o primeiro-ministro chinês deverá participar de uma recepção em comemoração aos 35 anos do restabelecimento de laços diplomáticos entre Tóquio e Pequim.

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