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Atualizado às: 30 de dezembro, 2006 - 06h08 GMT (04h08 Brasília)
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Para Bush, morte de Saddam é 'marco'
Saddam Hussein
Saddam Hussein foi executado por enforcamento neste sábado
O ex-presidente iraquiano Saddam Hussein, condenado à morte por crimes contra a humanidade, foi executado por enforcamento na madrugada deste sábado.

Saddam e outros dois réus haviam sido condenado à morte no dia 5 de novembro, pelo assassinato de 148 pessoas, a maioria xiitas, na cidade de Dujail, em 1982.

A notícia da execução do ex-líder iraquiano provocou reações em todo o mundo.

George W. Bush

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, considerou a morte de Saddam "um marco importante".

"Hoje Saddam Hussein foi executado depois de receber um julgamento justo - o tipo de Justiça que ele negou às vítimas de seu regime brutal", disse o presidente americano.

"A execução de Saddam Hussein ocorre no fim de um ano difícil para o povo iraquiano e para as nossas tropas. Levar (Saddam) à Justiça não vai pôr fim à violência no Iraque, mas é um marco importante na trajetória do país para se tornar uma democracia que pode se governar, sustentar e defender e ser uma aliada na guerra contra o terror."

Bush disse ainda que ainda há "muitas escolhas difíceis e sacrifícios" pela frente. "Mas a segurança do povo americano exige que nós não afrouxemos no objetivo de assegurar que a jovem democracia do Iraque continue a progredir".

Autoridade Palestina e Líbia

Para o Hamas, partido que comanda a Autoridade Palestina, a execução de Saddam Hussein foi um "assassinato político". "Ele era um prisioneiro de guerra e seu assassinato viola todas as leis internacionais que deveriam proteger prisioneiros de guerra", disse Fawzi Barhum, um porta-voz do Hamas. Na Líbia, o governo declarou três dias de luto oficial e também classificou Saddam como um "prisioneiro de guerra".

Margaret Beckett

Representando o governo britânico, a ministra das Relações Exteriores da Grã-Bretanha, Margaret Beckett, disse em um comunicado que era bem-vindo "o fato de Saddam Hussein ter sido julgado por um tribunal iraquiano por pelo menos alguns dos crimes aterradores que ele cometeu contra o povo iraquiano".

"O governo britânico não apóia a pena de morte no Iraque ou em qualquer outro lugar. Nós defendemos o fim da pena de morte em todo o mundo, independentemente do acusado ou do crime", afirmou.

"Nós deixamos a nossa posição bem clara para as autoridades iraquianas, mas respeitamos a sua decisão como a de uma nação soberana."

União Européia

A União Européia condenou a execução de Saddam Hussein, dizendo que "condena os crimes de Saddam, mas também a pena de morte", segundo uma porta-voz de Javier Solana, representante da UE para as Relações Exteriores, segundo a France Presse.

Declarações de França e Alemanha também expressaram a posição contrária da Europa em relação à pena de morte. O vice-ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Gernot Erler, disse que "compreende" o ressentimento das vítimas do regime brutal de Saddam Hussein, mas que mantém sua posição contrária à pena de morte. O governo francês se declarou favorável à abolição universal da pena capital.

O primeiro-ministro italiano, Romano Prodi, disse que "a Itália é contra a pena de morte". "Mesmo em um caso dramático como o de Saddam Hussein, nós ainda pensamos que a pena de morte não deve ser colocada em prática."

Rússia

Moscou expressou desapontamento com a decisão iraquiana de executar Saddam Hussein apesar dos pedidos internacionais por clemência. “Infelizmente, os pedidos não foram ouvidos”, disse um porta-voz do ministério das relações exteriores, que também lembrou que o episódio pode piorar a violência na região.

Vaticano

Para um porta-voz do Vaticano, a execução de Saddam Hussein foi "trágica", segundo informa a agência de notícias Associated Press. De acordo com o reverendo Federico Lombardi, a Igreja se preocupa com a possibilidade da execução fomentar a violência na região.

Para o reverendo, a pena de morte "não se justifica nem quando a pessoa executada é culpada de grandes crimes" e a execução de Saddam não é um caminho "para se reconstruir a justiça na sociedade iraquiana".

Iraque

O ex-político iraquiano Hamid Alkifaey considerou a execução de Saddam Hussein "uma vitória da Justiça". "É uma vitória do povo iraquiano sobre a tirania, uma vitória da razão e um dia de alegria para todos os seres humanos e para todas as pessoas que amam a paz", disse.

"Estou feliz em ver que a Justiça finalmente foi feita e que Saddam recebeu sua sentença."

Direitos Humanos

A organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch, com sede nos Estados Unidos, já havia se posicionado contra a execução do ex-presidente iraquiano.

Neste sábado, depois da notícia da execução, Richard Dicker, representante da organização, afirmou que "o comprometimento de um governo com os direitos humanos é medido pela maneira como ele trata seus ofensores".

"A história vai julgar severamente o processo profundamente falho de Dujail e essa execução", disse.

Segundo a alta comissária das Nações Unidas para Direitos Humanos, Louise Arbour, "todos os segmentos da sociedade iraquiana, assim como a comunidade internacional, têm interesse em assegurar que uma pena de morte determinada pela lei iraquiana apenas seja imposta após um julgamento e um processo de apelação que sejam, e também sejam vistos como, justos, dignos de crédito e imparciais".

"Isso vale especialmente para um caso tão excepcional como este."

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