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Conferência que questiona Holocausto começa no Irã | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Uma conferência de dois dias que vai questionar a ocorrência ou não do Holocausto durante a 2ª Guerra Mundial começou nesta segunda-feira, em Teerã. Os organizadores insistem que o evento Revisão do Holocausto - Uma Visão Global servirá para levantar "questões sem preconceitos" sobre o Holocausto, como discutir se, de fato, o regime nazista utilizou câmaras de gás para o extermínio de judeus. "O objetivo desta conferência não é negar nem confirmar o Holocausto, mas (dar) uma oportunidade para as pessoas expressarem opiniões que não podem expressar com liberdade na Europa", afirmou o ministro das Relações Exteriores do Irã, Manouchehr Mottaki. O encontro patrocinado pelo governo iraniano terá a participação de 67 pesquisadores de 30 países diferentes. A conferência tem gerado protestos por parte de sobreviventes dos campos de concentração, organizações judaicas, ativistas pelos direitos humanos e governos ocidentais como o da Alemanha, onde a negação do Holocausto é considerada um crime. A conferência foi inspirada pelo presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, que desde que assumiu o poder, em 2005, tem criado grande polêmica na comunidade internacional ao afirmar que o Holocausto é um "mito" e ao chamar Israel de "tumor". Polêmica
Frances Harrison, correspondente da BBC em Teerã, diz que o governo iraniano está ciente de que o evento causará irritação, mas a idéia é testar o comprometimento ocidental com a liberdade de imprensa. De acordo com Harrison, o Irã está traçando um paralelo com a polêmica causada pela publicação das charges que retratam o profeta Maomé, que provocaram protestos de muçulmanos pelo mundo. Um dos participantes do evento é David Duke, ex-líder da organização racista amerciana Ku Klux Klan. "É preciso que tenhamos liberdade de expressão. É um escândalo que não possamos discutir o Holocausto livremente", afirmou Duke à agência de notícias Reuters. "Essa proibição faz com que as pessoas fechem os olhos para os crimes de Israel contra o povo palestino." Rabinos foram convidados a participar do evento. O britânico Ahron Cohen disse que foi à conferência para expressar o ponto de vista "judeu ortodoxo". 'Injustiça' "Certamente, dizemos que houve o Holocausto, pois nós passamos por ele. Mas o que não pode acontecer é que ele sirva de desculpa para que atos de injustiça sejam cometidos contra os palestinos", disse.
Alguns judeus vindos da Europa e dos Estados Unidos participavam do evento vestidos com longos casacos, chapéus pretos e broches que protestavam contra Israel. Um dos broches dizia: "Judeu sim, sionista, não". A comunidade judaica no Irã, que tem cerca de 25 mil pessoas, ficou irritada com a conferência, de acordo com o único representante judeu no Parlamento iraniano, Moris Motamed. "Negar o Holocausto é um insulto", disse Motamed. "O governo insulta toda a comunidade judaica ao fazer esta conferência." Brasil O governo brasileiro divulgou uma nota do último dia nove, dizendo que 'recebeu com preocupação a notícia da realização' da conferência. A nota segue dizendo que o Brasil "co-patrocinou a resolução 60/77 da Assembléia Geral das Nações Unidas, adotada por consenso em dezembro de 2005, que reafirmou o reconhecimento histórico do Holocausto, ressaltou o compromisso da comunidade internacional de lutar contra todas as formas de intolerância e instituiu a data de 27 de janeiro, que evoca a libertação do campo de concentração de Auschwitz, como o 'Dia Internacional de Memória das Vítimas do Holocausto'. "O Governo brasileiro reitera sua firme condenação a todo evento, iniciativa ou declaração que possa pôr em causa a existência histórica do Holocausto." |
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