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Reunião da ONU vai discutir abusos em missões de paz | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A Organização das Nações Unidas (ONU) vai realizar uma conferência em Nova York na segunda-feira para discutir formas de combater o abuso sexual de crianças por soldados servindo em tropas de paz. O anúncio foi feito um dia depois que a secretária-geral-assistente para as Missões de Paz da organização, Jane Holl Lute, admitiu em entrevista à BBC que a organização enfrenta problemas de abuso sexual em várias de suas missões de paz. Ela fez as declarações depois de tomar conhecimento de uma investigação da BBC que coletou alegações de abuso sexual de menores em missões no Haiti, que é comandada por militares brasileiros, e na Libéria. A Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah) disse ter conduzido três investigações diferentes sobre um soldado brasileiro acusado de estuprar uma jovem de 16 anos, mas que nenhuma evidência foi encontrada contra o militar. Em outro episódio, envolvendo uma menina de 15 anos na Libéria, o porta-voz da ONU, Stephane Dujarric, disse que a missão que atua no país (Unmil), não recebeu nenhuma notícia de "casos envolvendo menores". "Tolerância zero" A organização disse que deseja adotar uma política de "tolerância zero" nesses casos, disse Dujarric, ao responder às questões apresentadas pela BBC. "A exploração e o abuso sexual por parte de funcionários da ONU é inaceitável", afirmou ele. "Nos últimos dois anos ficou claro que redobramos nossos esforços sobre isso, para evitar que estes atos ocorram, para disciplinar os que forem responsáveis e para tentar dar assistência às vítimas." Em maio último, uma outra investigação da BBC revelou abuso sistemático na Libéria, envolvendo a doação de alimentos para refugiadas adolescentes em troca de favores sexuais. A ONU respondeu à denúncia reforçando medidas de monitoramento, nomeando 500 monitores em todo o país e introduzindo treinamento obrigatório para todos os funcionários sobre formas apropriadas de conduta. Brasil Dujarric explicou, contudo, que cerca de 80% das cem mil pessoas que servem em operações de paz não podem ser punidas pela ONU. "Elas pertencem a vários países que contribuem com soldados e nós contamos com esses países para disciplinar seus funcionários", afirmou. Na quinta-feira, o ministério brasileiro da Defesa divulgou nota dizendo que "não há registro de qualquer caso comprovado de abuso sexual por parte de integrantes de contingentes brasileiros enviados ao Haiti". De acordo com dados da própria ONU, 316 integrantes de missões de paz foram investigados, resultando na demissão sumária de 18 civis, repatriação de 17 integrantes de unidades policiais. Ocorreram ainda 144 repatriações ou transferências de base por questões disciplinares. A ONU diz ter conhecimento concreto de apenas dois casos em que o perpetrador de crimes sexuais foi preso, embora acredite que pode haver outros, dos quais não tem ciência. |
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