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Atualizado às: 14 de novembro, 2006 - 04h49 GMT (02h49 Brasília)
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EUA e Grã-Bretanha mantêm linha dura contra Irã e Síria
Pessoas choram perto de caixão
Segundo a ONU, cerca de cem pessoas morrem por dia no Iraque
Os governos dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha sinalizaram que não vão facilitar sua postura em relação ao Irã e à Síria, apesar do pedido para que esses países ajudem a estabilizar o Iraque.

O presidente americano, George W. Bush, disse nesta segunda-feira que o Irã precisa interromper seu programa nuclear e que a Síria precisa se manter fora do Líbano, para que um diálogo seja estabelecido com os Estados Unidos.

O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, pediu a Teerã que “pare de apoiar o terrorismo” na região e que, sem isso, o país pode enfrentar um isolamento.

Engajar os vizinhos do Iraque é uma das propostas sendo considerada durante a fase de reavaliação da estratégia americana para o país.

Em um discurso sobre política externa em Londres, Blair disse que a violência no Iraque pode ser atribuída a forças externas.

É, portanto, importante ter uma estratégia para o Oriente Médio que inclua cooperação com Irã e Síria, mas apenas se os dois países mudarem suas posturas, afirmou o premiê britânico.

Bush, com Olmert ao fundo
Bush está sendo pressionado para mudar política no Iraque

Ele acusou Teerã de explorar “pontos de pressão na região” – como Iraque, Líbano e a Palestina – para evitar pressão internacional contra seu programa nuclear.

“Nós oferecemos ao Irã uma escolha clara e estratégica. Eles ajudam o processo de paz no Oriente Médio, não o prejudicam. Eles param de apoiar o terrorismo no Líbano ou Iraque. Eles passam a cumprir, e não desrespeitar, suas obrigações internacionais. Nesse caso, a parceria é possível. Ou, como alternativa, eles encaram a conseqüência de não agir assim: isolamento”, disse Blair.

Retirada em fases

Blair deve conversar por videoconferência nesta segunda-feira com especialistas do Grupo de Estudos do Iraque, um painel montado pelo Congresso americano para reavaliar a estratégia americana no Iraque.

Bush conversou com integrantes do painel nesta segunda-feira. Em algumas semanas, o grupo deve divulgar um relatório.

As opções sendo consideradas pelo painel, liderado pelo ex-secretário americano de Estado James Baker, são uma retirada em fases das tropas americanas do Iraque e a abertura do diálogo com Irã e Síria.

O correspondente da BBC em Washington, Justin Webb, disse que depois da derrota da Casa Branca nas eleições legislativas e Estaduais americanas, realizadas neste mês, o governo Bush está em um humor mais receptivo. No entanto, há limite no que o presidente está preparado para aceitar.

Depois de conversar com o premiê israelense, Ehud Olmert, Bush disse que não haverá uma mudança drástica na política externa americana.

Soldados americanos no Iraque
Grupo do Congresso estuda retirada dos EUA em fases

“Nosso foco nesta administração é convencer os iranianos a desistir das suas ambições de armas nucleares. Um Irã com uma arma nuclear seria uma influência desestabilizante”, disse.

Segundo Bush, o Irã precisa ser isolado internacionalmente se continuar com seu programa de enriquecimento de Urânio.

Os Estados Unidos e outros países ocidentais suspeitam que o Irã está tentando construir uma bomba nuclear, mas Teerã diz que seu programa nuclear é feito para atender demandas energéticas.

“Falhou”

Bush também mostrou pouco entusiasmo para negociar com a Síria, alertando que os Estados Unidos já deixaram claro para Damasco que o seu governo deve parar de interferir no Líbano e deixar de abrigar radicais.

Autoridades sírias são suspeitas, segundo investigação feita pelas Nações Unidas, de participar do assassinato do ex-premiê libanês Rafik Hariri no ano passado. Damasco nega o envolvimento.

Bush disse, em resposta à pergunta de um jornalista, que a retirada de tropas americanas do Iraque dependeria da situação no país.

O embaixador sírio em Washington, Imad Moustapha, disse que seu governo deveria estar feliz de desempenhar um papel no Iraque, desde que os próprios iraquianos assim desejem.

“Nós estamos dispostos e nós podemos ajudar. Nós não estamos dizendo que temos uma varinha mágica, mas podemos desempenhar um papel construtivo. Nós desempenhamos esse papel no passado”, disse Moustapha à BBC.

Mas ele disse que os Estados Unidos precisam primeiro aceitar que a sua política no Iraque falhou.

Mais de 2,8 mil soldados americanos morreram no Iraque desde o começo da invasão do país, em 2003. A estimativa da ONU é que cerca de cem pessoas morrem por dia no Iraque, devido à ondas de violência.

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