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Família de Jean Charles se diz 'chocada' com nova morte
Jean Charles de Menezes
Jean Charles foi confundido com um terrorista e morto por policiais
A família de Jean Charles de Menezes afirmou que ficou chocada com o fato de um dos policiais envolvidos na morte do brasileiro em Londres ter atirado e matado um homem durante uma operação policial.

"Estamos chocados com o fato de que alguém responsável pela morte de um homem inocente tenha recebido uma licença para matar novamente", afirmou Alex Pereira, primo de Jean Charles, em uma declaração divulgada nesta quinta-feira.

"As investigações a respeito da morte de Jean ainda não foram encerradas mas os mesmos policiais receberam de volta suas armas como se nada tivesse acontecido."

"Sir Ian Blair (comissário da Polícia de Londres) deve ter acreditado que poderia varrer a morte de Jean para debaixo do tapete, mas quando os mesmos erros continuam sendo cometidos, ele deve ser responsabilizado", acrescentou Pereira.

O homem, de 42 anos, foi baleado durante uma operação policial em New Romney, no condado de Kent, na Grã-Bretanha, na terça-feira. O homem morreu horas depois, no hospital.

Um porta-voz da família de Jean Charles afirmou que todos ficaram "horrorizados" por mais este incidente.

"A família de Jean Charles de Menezes expressou choque e descrença frente às notícias de que policiais envolvidos na morte de Jean Charles mataram de novo", afirmou o porta-voz.

"Membros da família ficaram horrorizados ao saber que os mesmos policiais receberam uma licença para matar novamente mesmo antes de o processo investigativo a respeito da morte de Jean estar completo."

'Sombra'

Asad Rehman, porta-voz da Campanha da Família de Jean Charles de Menezes, afirmou que uma "sombra" vai pairar sobre todos os policiais envolvidos na morte do brasileiro até que ocorra uma "investigação aberta e pública" a respeito de sua morte.

Jean Charles de Menezes foi morto a tiros por policiais um dia depois de uma tentativa fracassada de atentados contra o transporte público de Londres, em julho de 2005.

No dia 22 daquele mês, o brasileiro foi seguido por policiais à paisana que o confundiram com um terrorista. Jean Charles foi baleado dentro da estação de metrô de Stockwell.

Uso de armas

O policial havia sido afastado de operações com o uso de armas depois do episódio com o brasileiro. No entanto, ele retornou à unidade especializada em uso de armas de fogo depois que a Promotoria Pública Britânica determinou que nenhum dos policiais envolvidos na morte de Menezes seria indiciado individualmente.

A Comissão Independente de Queixas contra a Polícia (IPCC, na sigla em inglês) iniciou uma investigação sobre o caso.

Três homens foram presos durante a operação, que investigava uma suspeita de roubo de armas. Nenhum policial ficou ferido.

Em um comunicado, a Polícia de Londres afirmou que a equipe de policiais enviada para a operação incluía agentes envolvidos no tiroteio em Stockwell, no ano passado.

Conforme o comunicado, a Polícia de Londres tem um pequeno quadro de especialistas altamente treinados no uso de armas.

"Eles executam uma função extremamente difícil e vital, respondendo a ameaças armadas contra a população e contra seus colegas desarmados. É extremamente raro usarem suas armas."

"É profundamente lamentável quando alguém morre como resultado de uma ação policial", diz o comunicado.

A Polícia de Londres enfrenta uma ação judicial por violações de leis de saúde e de segurança por não ter oferecido proteção adequada para Jean Charles no dia em que ele foi baleado.

A família do brasileiro também entrou com uma ação judicial contestando a decisão da Promotoria Pública Britânica de não processar os indivíduos envolvidos na sua morte.

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