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Exposição de arte lembra morte de Jean Charles | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O músico Denis Pereira era apenas mais um dos muitos imigrantes que sobrevivem em Londres com trabalhos que europeus não querem – neste caso, passar o dia carregando uma placa de propaganda – quando conheceu a artista plástica britânica Sarah Stang. Do encontro, nasceu a inspiração para obras de arte que denunciam as dificuldades e problemas enfrentados pelos imigrantes em geral e lembram um caso específico e marcante: o assassinato pela polícia londrina do brasileiro Jean Charles de Menezes, em julho do ano passado. O projeto da dupla já tinha começado antes, com um outdoor no centro de Londres no qual Denis rasurou e reescreveu um dos artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos para adequá-lo à realidade dos estrangeiros que trabalham aqui. Mas a morte de Jean Charles adicionou uma nova dimensão ao projeto e levou a criação de novas obras que estão agora expostas na igreja de Saint Gilles, bem no centro da capital britânica. “Um conterrâneo foi morto em terras estranjeiras (sic). Não me sinto enfurecido. Devo sentir culpa?”, pergunta o músico num texto escrito em uma das obras. Portas Denis Pereira escreveu a frase no vidro de uma porta que Sarah Stang recolheu em uma escola que estava sendo abandonada. “Usei a porta porque é um símbolo muito forte para qualquer imigrante e nos traz uma referência de entrada e saída”, explica Sarah. Na verdade trata-se de um conjunto de três portas com um visor de vidro em cada. Em um dos vidros Denis Pereira escreveu um texto em português, no outro um texto em inglês e no do meio fica uma foto de Jean Charles. O simbolismo é reforçado pelo par de luvas (também em exposição) que Pereira usou na hora de escrever: elas tinham sido abandonas na rua por integrantes das equipes de resgate que trabalharam no metrô depois das explosões de 7 de julho. Injustiça Pereira diz que para ele foi muito fácil fazer um trabalho sobre as dificuldades enfrentadas pelos imigrantes na Grã-Bretanha: “Foi só abrir a boca e falar o que eu penso.” O imigrante explica que a morte de Jean Charles foi chocante e chamou muito a atenção, mas acrescentou que o desrespeito aos direitos humanos de estrangeiros já era um problema que ele sentia há mais tempo. “Temos que trabalhar muito sem uma remuneração adequada e sofrendo discriminação e desrespeito. O que está na declaração de direitos humanos não passa de teoria”, diz. E o assassinato de Jean Charles trouxe mais uma insegurança para os imigrantes: “Agora as pessoas também têm medo de acabar levando um tiro de bobeira”, diz. |
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