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Atualizado às: 22 de outubro, 2006 - 14h38 GMT (11h38 Brasília)
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EUA agiram com 'arrogância' no Iraque, diz diplomata
Fuzileiro americano no Iraque
Para as forças americanas, outubro está sendo um dos meses mais sangrentos no conflito
Um alto funcionário do Departamento de Estado americano disse em entrevista em árabe à emissora de televisão al-Jazeera que seu país agiu com "arrogância e estupidez" no Iraque.

Alberto Fernandez, Diretor de Diplomacia da Divisão de Oriente Próximo, disse na transmissão feita no sábado que os Estados Unidos desejam agora um diálogo com qualquer grupo insurgente, exceto o al-Qaeda no Iraque, para reduzir o derramamento de sangue por conflitos sectários no país.

Segundo ele, "a história vai decidir sobre o desempenho americano no Iraque", mas seu país tentou fazer o bem.

O Departamento de Estado americano se distanciou dos comentários de seu funcionário. O porta-voz Sean McCormack negou que os Estados Unidos sejam culpados de arrogância ou estupidez.

Segundo ele, Fernandez disse que relatos sobre suas declarações não foram precisos.

O Serviço de Monitoramento da Mídia da BBC afirma, contudo, que Fernandez usou as palavras "arrogância" e "estupidez".

As declarações de Fernandez foram feitas depois que o presidente George W. Bush discutiu uma mudança de tática no Iraque com seus principais comandantes militares.

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, afirmou no sábado, durante o seu pronunciamento semanal de rádio, que o Exército americano está constantemente ajustando as suas táticas para responder à violência no Iraque.

Bush também admitiu que as operações para melhorar a segurança em Bagdá iniciadas há dois meses não tiveram o resultado esperado.

"Nós vamos continuar a ser flexíveis, e a fazer toda mudança que for necessária para prevalecermos nesta luta", disse o presidente.

"Cronograma"

Informações divulgadas pelo jornal The New York Times indicam que autoridades americanas já estariam elaborando um cronograma para que o governo iraquiano lide com a violência étnica e assuma maior responsabilidade pela segurança no país, abrindo caminho, dessa forma, para os militares americanos diminuírem o seu papel no país.

"O plano não ameaçaria (o primeiro-ministro iraquiano Nouri al) Maliki com a retirada das forças americanas, mas muitos representantes do governo dizem que a gestão Bush consideraria mudanças na estratégia militar e outras punições se o Iraque se recusasse a adotá-lo ou não conseguisse alcançar os objetivos previstos por ele", diz o jornal.

A Casa Branca rejeitou, contudo, essas informações. A porta-voz Nicole Guillemard disse: "A reportagem não está correta, mas nós estamos desenvolvendo constantemente novas táticas para atingir nossos objetivos."

Mês sangrento

Em seu pronunciamento, Bush reconheceu que os ataques aumentaram no mês sagrado do Ramadã e disse que as últimas semanas foram "duras para as forças americanas e para o povo iraquiano".

Para as forças americanas no Iraque, este mês de outubro é um dos mais sangrentos no conflito até agora. Cerca de 70 militares já morreram, com uma média de três vítimas por dia, número mais alto desde janeiro de 2005.

Apenas neste sábado, pelo menos 38 pessoas, entre civis e militares, foram mortas em ataques em seis cidades iraquianas (Mahmudiya, Suwayra, Bagda, Kirkuk, Mosul e Ramadi), indica um levantamento da agência de notícias Reuters.

O ataque com maior número de vítimas ocorreu em Mahmoudiyah, ao sul de Bagdá, onde 17 pessoas, segundo o Exército iraquiano, morreram em um ataque coordenado que envolveu militantes suicidas em bicicletas e disparos de morteiros.

A política de Bush para o Iraque tornou-se um tema central na campanha das eleições de novembro para o Congresso e pesquisas de opinião indicam que o seu partido, o Republicano, poderá perder maioria no Senado e na Câmara dos Representantes.

A oposição democrata tem pressionado Bush pedindo que ele dê início a uma retirada gradual no fim deste ano.

Eles desejam ainda que o presidente convoque uma conferência internacional para apoiar o que chamam que "um acordo político" no Iraque.

Apesar das pressões, correspondentes da BBC informam que uma mudança de tática antes das eleições é improvável.

Uma comissão independente está analisando a estratégia americana para o Iraque, mas só deverá divulgar as suas conclusões após as eleições.

Iraque
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