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Atualizado às: 18 de setembro, 2006 - 19h44 GMT (16h44 Brasília)
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Líder do Irã diz que frase do papa mostra 'cruzada' anti-Islã
Khamenei
Líder do Irã disse que comentários do papa eram 'lamentáveis'
O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, disse que as recentes declarações do papa Bento 16, que causaram protestos em diversas partes do mundo islâmico, fazem parte do que ele chamou de uma "cruzada" contra muçulmanos.

"Charges ofensivas e declarações de políticos sobre o Islã são diferentes elos na conspiração dos cruzados e as declarações do papa são os mais recentes elos (nesta conspiração)", afirmou Khamenei, comparando a atual polêmica à gerada pela publicação de caricaturas de Maomé em jornais dinamarqueses, no ano passado.

Khamenei disse que "não espera nada" do presidente americano, George W. Bush, mas que, vindos de "uma grande autoridade cristã", esses comentários são "muito lamentáveis".

"Clérigos europeus costumavam dizer essas coisas sobre o Islã - nós imaginávamos que esse tipo de expressões tivesse acabado nos tempos atuais", acrescentou o líder supremo do Irã.

Além de Khamenei, outras lideranças muçulmanas criticaram as declarações do papa, que continuam causando protestos em partes do mundo islâmico mesmo depois de o pontífice dizer que se ressentia "profundamente" por ter ofendido muçulmanos com a sua citação de um líder cristão medieval.

Al-Qaeda no Iraque

A polêmica também teve repercussões no Iraque. Um comunicado na internet atribuído à liderança da Al-Qaeda no país declara guerra santa aos cristãos.

"Nós dizemos àquele que serve à cruz que você e o Oeste serão derrotados, como é o caso no Iraque, na Chechênia e no Afeganistão", diz a nota atribuída ao conselho Mujahedeen, liderado pelo ramo iraquiano da Al-Qaeda.

Em Basra, no sul do Iraque, centenas de pessoas participaram de protestos com queima das bandeiras da Alemanha (país do papa) e dos Estados Unidos, segundo informações da agência de notícias France Presse.

Um influente clérigo do Catar, Yusuf Al-Qaradawi, pediu a convocação de um "dia de ira", na próxima sexta-feira, dizendo que o pedido de desculpas de Bento 16 não seria suficiente.

Qaradawi é um dos líderes muçulmanos que exigem um pedido de desculpas mais contundente por parte do papa.

 Não consideramos o comunicado atribuído ao papa como um pedido de desculpas.
Sami Abu Zuhri, porta-voz do Hamas, partido que controla o Parlamento palestino

O vice-premiê da Turquia Mehmet Aydin, disse que "ou se pede desculpas direito ou não se fala nada. Você lamenta ter dito o que disse ou as suas conseqüências?"

No entanto, a maior autoridade muçulmana do país, Ali Bardakoglu, disse que as palavras do papa deste domingo mostravam respeito pelo Islã e uma posição civilizada. A visita do papa à Turquia, marcada para novembro, está confirmada, de acordo com o governo turco.

Egito e Rússia

No Egito, a Irmandade Muçulmana acolheu as palavras de Bento 16, mas afirmou que o pedido de desculpas não é "definitivo".

"Essa retratação é sem dúvida um passo importante em direção à atitude correta e ao pedido de desculpas correto, mas não chega a ser um pedido definitivo e decisivo que satisfaria a todos os muçulmanos", disse o porta-voz do grupo de oposição, Mohammed Habib.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, pediu aos líderes religiosos ao redor do mundo que ajam de maneira responsável e contida.

"Tenho certeza de que as principais religiões do mundo terão coragem e sabedoria para evitar excessos no seu relacionamento. Entendemos muito bem quão sensível é o tema, (por isso) é correto pedir a líderes de todo o mundo que demonstrem responsabilidade e comedimento."

Pedido de desculpas

Bento 16 fez as polêmicas declarações durante uma visita à Alemanha na terça-feira passada. Falando de guerra santa, o papa citou o Manuel 2º, imperador cristão ortodoxo que na Idade Média dominava Bizâncio, área que compreende a atual Turquia.

"Mostre-me tudo o que Maomé trouxe de novidade, e encontrarás apenas coisas más e desumanas, como sua ordem de espalhar com a espada a fé que ele pregava", disse o papa, citando o imperador católico.

Na sua retratação neste domingo, o pontífice disse que as opiniões foram escritas há seis séculos e não refletem de maneira alguma o ponto de vista dele.

"Eu espero que isso sirva para acalmar os corações e esclarecer o verdadeiro significado do meu discurso, que era e é em sua totalidade um convite para um diálogo sincero e franco, com respeito mútuo", disse o religioso.

Parte da comunidade muçulmana, incluindo lideranças muçulmanas na Alemanha, na Grã-Bretanha e na Índia, recebeu bem o pronunciamento de Bento 16, mas em lugares como Irã, Indonésia e a Caxemira indiana, os protestos continuaram nesta segunda-feira, inclusive com queimas de bonecos representando o papa.

Pelo menos sete igrejas católicas foram atacadas nos territórios palestinos desde o polêmico pronunciamento do papa na Alemanha.

No domingo, uma missionária católica foi assassinada na capital da Somália, e há suspeitas de que ela tenha sido vítima de um ataque em retaliação aos comentários do papa.

Papa Bento 16Religião
Entenda a polêmica entre o papa e os muçulmanos.
Ira muçulmana
Comentários do papa causam protestos.
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