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Vaticano: Papa lamenta texto que ofendeu islâmicos | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O Vaticano divulgou neste sábado uma nota afirmando que o papa Bento 16 "lamenta profundamente" que trechos de um dos seus pronunciamentos na semana passada "possam ter soado ofensivos à sensibilidade dos fiéis muçulmanos". No comunicado divulgado pelo novo secretário de Estado do Vaticano, o cardeal Tarcisio Bertone, o papa lamenta também que as palavras dele "tenham sido interpretadas de uma forma que de modo algum correspondem às suas intenções". O texto de Bertone diz ainda que o pontífice máximo da igreja católica respeita os fiéis muçulmanos, que "adoram o Deus único", e espera que os islâmicos "sejam ajudados a entendar o significado correto das suas palavras" e que isso leve a superar o "atual momento difícil" e a um "reforço do testemunho de Deus, Criador do Céu e da Terra". "Para defenderem e promoverem juntos para todos os homens, a justiça social e os valores morais, a paz e a liberdade", conclui a nota. Em sua visita à Alemanha, o país onde nasceu, o papa citou em um discurso um imperador cristão do século 14 que afirmou que o profeta Maomé não teria acrescentado nada mais que violência ao mundo. 'Mal-interpretado' A citação do texto foi considerada ofensiva por religiosos islâmicos em todo o mundo, e líderes religiosos na Turquia, no Paquistão, no Líbano e na Malásia chegaram a exigir um pedido de desculpas da igreja católica. No entanto, a primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, defendeu o papa, dizendo que ele foi "mal-interpretado". Na Cisjordânia, duas igrejas – uma católica e outra anglicana – foram atingidas por coquetéis molotov. Ninguém ficou ferido, e um grupo assumiu a responsabilidade, dizendo que o atentado foi um protesto contra os comentários do papa. Falando sobre o assunto em Cuba – onde participa do Fórum dos Não-Alinhados –o presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, se disse contra o que chamou de "tendências sinistras". "Nossa estratégia tem de, claramente, se opôr às tendências sinistras de associar o terrorismo com o Islã e à discriminação contra muçulmanos, que está incentivando uma alienação entre o mundo ocidental e o mundo do Islã", disse Musharraf. 'Retificar o erro' Também em Cuba, o primeiro-ministro da Malásia, Abdullah Ahmad Badawi disse que o papa não deveria subestimar a sensação de revolta que a citação gerou. "O Vaticano deve, agora, assumir responsabilidade pelo assunto e adotar as medidas necessárias para retificar o erro", disse. No discurso, intitulado "Fé, Razão e a Universidade: Memórias e Reflexões", o papa cita um diálogo de 1391 entre um emperador bizantino, Manuel II Paleologus, e um intelectual persa sobre as religiões cristã e muçulmana. O Papa menciona que, em um determinado momento do diálogo, o emperador cita o tema da guerra santa, nas palavras do papa, com uma "assustadora brutalidade". "Mostre-me tudo o que Maomé trouxe de novidade, e encontrarás apenas coisas más e desumanas, como sua ordem de espalhar com a espada a fé que ele pregava". Durante a palestra, o papa acrescentou que "a violência é incompatível com a natureza de Deus e a natureza da alma". Na parte final do discurso, o papa diz que "a intenção aqui não é fazer uma crítica negativa, mas ampliar o nosso conceito de argumentação e a sua aplicação. Só assim seremos capazes de um diálogo genuíno entre culturas e religiões, tão necessário nos dias de hoje", concluiu o pontífice. |
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