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Atualizado às: 15 de setembro, 2006 - 23h48 GMT (20h48 Brasília)
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Cúpula alternativa começa sem Fidel em Havana
Raúl Castro e Kofi Annan
Raúl Castro fez discurso criticando Estados Unidos
Representantes de 118 países deram início nesta sexta-feira à Cúpula do Movimento dos Países Não-Alinhados em Havana, Cuba, sem a participação do presidente cubano Fidel Castro.

A cerimônia de abertura do evento que termina neste sábado foi presidida pelo irmão mais novo de Fidel e presidente em exercício de Cuba, Raúl Castro.

"O camarada Fidel me pediu para transmitir os seus cumprimentos mais cordiais", disse Raúl Castro no início de um discurso em que criticou os Estados Unidos por seus planos de "conquista imperial" do mundo.

Embora não tenha participado do evento, Fidel, que está se recuperando de uma cirurgia no intestino, recebeu a visita do secretário-geral da ONU, Kofi Annan.

Entre os líderes que participam do evento, estão os principais desafetos dos Estados Unidos, incluindo os presidentes Hugo Chávez, da Venezuela, Mahmoud Ahmadinejad, do Irã, Robert Mugabe (Zimbábue) e Alexander Lukashenko (Belarus).

Havia muita especulação quanto ao comparecimento de Fidel na cúpula, embora ele não apareça em público há mais de um mês. Segundo autoridades cubanas, médicos recomendaram que ele continuasse em repouso.

Liberdade de expressão

Kofi Annan também falou na sessão de abertura do encontro, na qual fez um apelo aos países em desenvolvimento para dar mais liberdade de expressão à imprensa e à oposição.

"Nós precisamos que os governos do sul cumpram as suas obrigações com as suas populações, acabando com a supressão a grupos de oposição e à mídia, tomando medidas sérias e sinceras contra a corrupção", afirmou Annan a uma platéia que incluía 55 líderes nacionais e dezenas de ministros das Relações Exteriores, incluindo o brasileiro Celso Amorim.

A cúpula, inclusive, promoveu um encontro - definido como "rápido e cordial" - entre Amorim e o presidente boliviano, Evo Morales, num momento em que se desenrola mais um capítulo da crise do gás.

Alguns dos presentes esperam fazer do Movimento Não-Alinhado uma alternativa ao que vêem como a tentativa de dominação do mundo pelos Estados Unidos.

Há, no entanto, vozes mais moderadas no movimento que defendem apenas que o grupo tente representar melhor as reivindicações dos países em desenvolvimento para os desenvolvidos.

Correspondentes da BBC informam, no entanto, que a declaração final do evento deverá conter críticas bastante explícitas à política externa americana.

Kofi Annan também usou o discurso na cúpula para chamar a atenção para a desigualdade entre os países mais ricos e os mais pobres e defendeu um comércio global mais justo, com a eliminação de "todos os subsídios que fazem com que países pobres enfrentem competição injusta em relação aos mais ricos".

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