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Atualizado às: 06 de setembro, 2006 - 04h41 GMT (01h41 Brasília)
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Calderón faz apelo por unidade nacional no México
Felipe Calderón
Calderón foi declarado eleito com vantagem de 0,5 ponto percentual
Em seu primeiro pronunciamento depois de ser declarado vencedor nas eleições do último dia 2 de julho, o presidente eleito do México, Felipe Calderón, fez um apelo à unidade nacional e convocou seus adversários políticos ao diálogo.

Falando para seus seguidores na sede do Partido da Ação Nacional (PAN), Calderón disse que o país precisa se unir contra seus reais inimigos - a pobreza, a criminalidade e o desemprego.

O governista Calderón convocou as forças políticas, sociais e sindicais a participarem da elaboração de seu programa de governo.

No entanto seu oponente, o esquerdista Andrés Manuel López Obrador, que contesta o resultado das eleições alegando fraude, ainda se recusa a aceitar a derrota.

O tribunal eleitoral do México reconheceu a vitória de Calderón na terça-feira. Ele foi declarado vitorioso com uma vantagem de 233.831 votos (cerca de 0,56 ponto percentual do total) sobre o segundo colocado.

De acordo com os resultados finais, Calderón recebeu 35,89% dos 41,6 milhões de votos, contra 35,33% de López Obrador. As eleições no México não vão a segundo turno.

Batalha judicial

"Quero novamente expressar o reconhecimento a meus adversários", disse Calderón. "Suas propostas mais legítimas e representativas serão incorporadas ao meu programa de governo."

López Obrador afirmou que não aceita a decisão do tribunal eleitoral. Seus seguidores têm realizado protestos desde as eleições.

López Obrador
López Obrador, segundo colocado, não reconheceu derrota

"Eu não reconheço alguém que tenta agir como chefe do Executivo sem ter representação legítima e democrática!", disse López Obrador a seus seguidores no Zócalo, a principal praça da Cidade do México.

Por ser inapelável, a decisão do tribunal deverá por fim a uma longa batalha judicial que envolveu recontagens parciais dos votos e acusações de fraudes entre os candidatos. Não está claro, porém, se as manifestações de rua em apoio a López Obrador cessarão.

O candidato oposicionista já havia dito que não reconheceria a decisão e que até poderia formar um governo paralelo.

"Isso não muda nada", disse o eleitor Francisco Gonzalez, que votou em López Obrador e assistia ao pronunciamento do tribunal pela televisão no Zócalo, que manifestantes pró-Obrador ocupam há mais de um mês.

Parabéns de Fox

Embora o país tenha se mostrado dividido nas urnas, atualmente apenas 30% dos mexicanos acreditam que Calderón fraudou as eleições.

Uma assessora de Calderón, Josefina Vazquez Mota, disse que ele sabe que terá de reunificar o país. "Felipe Calderón é agora presidente. O desafio da reconciliação o espera", disse a assessora, segundo a agência de notícias Associated Press.

Obrador pedia a anulação do resultado, alegando que o candidato governista havia conduzido uma "campanha suja".

Um fator usado por Obrador para sustentar sua posição era o envolvimento do presidente Vicente Fox na campanha.

Os juízes reconheceram que a "intervenção indevida" de Fox a favor de Calderón foi um entre outros problemas da votação, mas entenderam que eles não justificavam a anulação do resultado.

"Não há eleições perfeitas", disse a juíza Alfonsina Berta Navarro Hidalgo, umas das integrantes do tribunal eleitoral, segundo a Associated Press.

Fox, por sua vez, parabenizou Calderón, que serviu como ministro da Economia no seu governo.

"Eu parabenizo Felipe Calderón, desejando-lhe o melhor para o seu governo à frente de um grande esforço coletivo por todos os mexicanos", afirmou o presidente.

A cerimônia de posse está marcada para o dia 1º de dezembro. Como os mandatos presidenciais são de seis anos no México, Calderón deverá governar até 1º de novembro de 2012.

Caio Blinder
Impasse eleitoral testa democracia mexicana.
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