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ONU pede criação de "corredor" para ajuda humanitária | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Os estrangeiros estão fugindo do Líbano aos milhares, mas os libaneses que têm que ficar por aqui correm o risco de passarem pelo que a Organização das Nações Unidas chama de uma "catástrofe humana". "Precisamos de um corredor, uma passagem segura para que as organizações humanitárias possam transportar vítimas ou levar assistência a elas. Se isso não acontecer logo vamos ter uma catástrofe humana nas mãos", disse à BBC Brasil a sub-secretária-geral da ONU e secretária executiva da Comissão Econômica e Social para o Leste da Ásia da entidade, Mervat Tallawy. Estimativas da ONU e da Cruz Vermelha indicam que cerca de 500 mil libaneses já tiveram que deixar suas casas e estão vivendo como refugiados dentro do próprio país e o número deve crescer rápido agora que aumentam os temores de uma invasão por terra de Israel. O Ministério da Saúde do Líbano diz que pelo menos 320 pessoas já foram mortas e mais de 1.100 ficaram feridas desde o início do conflito há dez dias. "Eu acredito que o número de mortos seja ainda maior porque nem todos os corpos que estão debaixo dos escombros provocados pelo bombardeio estão sendo contados", diz Tallawy. Estradas O atendimento às vitimas é difícil e perigoso porque os israelenses estão bombardeando as estradas e caminhões que circulam por elas, para impedir a chega de armas e suprimentos ao grupo Hezbollah. Os ataques também dificultam o transporte de feridos do sul do país – a área mais castigada pelos ataques israelenses - para hospitais com mais recursos em outras regiões. O ministro da Saúde do Líbano, Mohamed Khalifa disse que por enquanto o sistema de saúde do país ainda está conseguindo dar conta dos feridos de guerra e dos outros casos que normalmente têm que ser tratados. "Mas não podemos mais resistir por muito tempo. Se a violência continuar assim, a qualidade do atendimento que podemos dar aos feridos vai fatalmente cair", reclama. Na última quinta-feira o governo inaugurou a nova ala de emergência do Hospital Geral de Beirute, cerca de dois meses antes da data prevista. Nem todos os equipamentos e recursos do hospital estão ainda instalados, mas a inauguração teve que ser antecipada para poder atender às vítimas das operações militares. ONGs Mas as organizações não governamentais que trabalham na assistência aos refugiados e feridos dizem que os recursos que o governo está oferecendo estão longe de suficientes para atender a população afetada. "O governo libanês nem tem recursos para lidar com uma situação como essas", diz a coordenadora da ONG Dar Al-Amar (Caminho da Esperança), Hoda Choucri. A entidade dela está acomodando milhares de refugiados que vieram do Sul do Líbano em escolas da capital. "Essas pessoas estão sofrendo muito, mas não culpam o Hezbollah pelo que está acontecendo com elas. O problema para as vítimas é Israel e só Israel", diz ela. Estrangeiros Enquanto isso milhares de estrangeiros – e libaneses com dupla nacionalidade – estão contando com a ajuda de seus governos para deixar o país. O governo brasileiro optou por fretar ônibus para transportar as pessoas até a Turquia, a partir de onde uma parte delas tem passagens para seguir viagem e outros serão transportados em aviões da Força Aérea Brasileira. Mas a maioria dos governos preferiu fazer a retirada de seus cidadãos por mar, enviando para o porto de Beirute navios para transportá-los até Chipre. A operação é complicada porque envolve negociações com o governo de Israel para permitir a passagem dos barcos - já que os israelenses estão impondo um bloqueio naval ao Líbano – mas o processo é mais seguro do que pegar as estradas libanesas que estão sob constantes bombardeios. A brasileira Angiara Nóbrega conseguiu um lugar num navio enviado pela Grécia para transportar pessoas de seis países diferentes. "Não gostei do esquema montado pelo governo brasileiro. Achei bem mais seguro tomar o navio para ir a Chipre", explicou. Ela conta que de lá vai para a Itália e a partir daí não tem mais certeza de nada. Nóbrega morou por nove anos no Líbano e diz que gostaria de voltar a viver no país. "Vou acompanhar a situação. Espero que as coisas se tranqüilizem logo porque o povo libanês não merece sofrer assim." |
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