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Atualizado às: 08 de julho, 2006 - 15h24 GMT (12h24 Brasília)
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Testemunho: raiva e dor na em Gaza
Soldados israelenses
Khatar teve sua casa e seu veículo destruídos na recente invasão
Ali Khatar, 71 anos, abriu a porta da frente de sua casa pela primeira vez em dois dias e viu que o muro de sua cozinha estava completamente destruído e o motor de seu micro-ônibus havia sido inutilizado por um tanque israelense.

Por 48 horas, ele, sua mulher, a filha e dois netos se esconderam nos fundos de sua casa enquanto tanques e soldados de Israel combatiam militantes palestinos na rua ao lado.

Toda vez que o tiroteio começava, eles se jogavam no chão , temerosos de que a as balas atravessassem as paredes da casa.

Mas na manhã de sábado o Exército israelense saiu de Beit Lahiya, deixando as ruas repletas de destroços, os campos de agricultura arrasados, o abastecimento de água e elétrico danificados e residências demolidas.

Impotência

"Éramos como prisioneiros. As crianças viviam sob terror", diz Khatar.

Israel diz que a invasão tem o objetivo de impedir que militantes palestinos lancem foguetes artesanais até comunidades israelenses nas proximidades da Faixa de Gaza.

A invasão militar israelense matou mais de 30 palestinos, incluindo civis e militantes e feriu dezenas mais.

Do lado, de Israel, um soldado morreu.

Khatar é altamente crítico do Exército israelense pelas mortes e a destruição causadas.

Ele também se diz que acreditar que os militantes deveriam parar de lançar foguetes.

"Mas como podemos impedi-los?", pergunta ele.

"Se dissermos ou fizermos qualquer coisa eles nos espancam."

Raiva

Na mesma rua, o pequeno agricultor Hatam Atar, de 29 anos, verifica os danos causados pelos tanques israelenses à sua plantação.

Os canos de irrigação viraram um emaranhado distorcido e seu galinheiro e o local de criação de coelhos foram arrasados.

Atar diz, no entanto, que isso é o que menos o preocupa. Dois de seus primos foram mortos durante os confrontos.

"Eles estavam ajudando os militantes dando-lhes sacos de areia para que eles pudessem se proteger das balas”, diz ele.

No fim da rua, uma tenda foi erguida para lembrar os mortos.

Cerca de 60 membros da família de Atar estão presentes, recebendo condolências.

Os homens estão distraídos quando um carro chega e dele sai o primeiro-ministro palestino, Ismail Haniya, do Hamas.

Ele se aproxima do tio dos mortos, Mahmoud Ataf,de 47 anos e o beija em cada bochecha.

Ataf diz que vai sentir muita falta dos sobrinhos.

"Eu sou contra disparar Qassams (os foguetes artesanais) contra Israel", diz ele.

"Mas se hoje tivesse uma casa repleta de Qassams, eu os dispararia todos contra Israel".

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