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Atualizado às: 24 de junho, 2006 - 03h12 GMT (00h12 Brasília)
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'Terroristas nativos tão perigosos quanto al-Qaeda'
Narseal Batiste (esq) e Stanley Grant Phanor
Batiste e Phanor estão entre acusados de planejar atentados
O secretário da Justiça dos Estados Unidos, Alberto Gonzales, advertiu que terroristas nativos do pais podem representar um perigo tão grande para os Estados Unidos quanto os agentes estrangeiros da al-Qaeda.

Sete homens presos em Miami foram acusados de conspiração para realizar um atentado a bomba contra o edifício mais alto do país, Sears Tower, em Chicago, e ataques a escritórios do FBI (a polícia federal americana) em Miami.

Os acusados - cinco americanos e dois haitianos - esperavam lançar uma "guerra total" contra os Estados Unidos, de acordo com as acusações feitas contra eles.

Mas as autoridades disseram que o complô foi descoberto cedo e não representa um risco.

Gonzales afirmou que o grupo foi inspirado por "uma mensagem jihadista violenta".

"São pessoas que, por alguma razão, começaram a ver seu próprio país como o inimigo", disse o secretário.

Al-Qaeda

Os acusados, que possuem entre 22 e 32 anos de idade, juraram obediência à al-Qaeda, mas não tiveram contacto com a rede extremista, de acordo com as autoridades.

O grupo foi preso em um armazém, durante uma operação secreta, depois que foram infiltrados por um agente que se fez passar por membro da al-Qaeda.

Gonzales disse que a falta de ligação direta com a rede extremista não diminui a sua periculosidade.

"Hoje as ameaças terroristas vem de células pequenas, menos definidas, não afiliadas à al-Qaeda", afirmou.

A acusação informa que um dos detidos, Narseal Batiste, havia expressado ao agente do FBI seu desejo de receber treinamento e apoio da Al-Qaeda para encampar uma "guerra total" contra os Estados Unidos.

Batiste ainda teria pedido ao mesmo agente que o ajudasse a "criar um exército islâmico para lutar uma Jihad", ou guerra santa e adicionou que sua missão era ser "tão bom ou melhor do que o atentado de 11 de setembro", segundo o indiciamento.

Mas, como definiu um oficial da polícia federal norte-americana, a trama era "mais uma aspiração que uma operação". Nenhuma arma ou material para a produção de bombas foi encontrado com eles.

Um homem próximo ao grupo, entrevistado pela rede CNN, afirmou que os sete apenas se reuniam pacificamente para realizar estudos religiosos.

Os suspeitos foram presos no galpão em que, aparentemente, também viviam, no distrito pobre de Liberty City, na capital da Flórida.

Alienação

O correspondente de segurança e defesa da BBC, Rob Watson, disse que o número de prisões e condenações sugere que os Estados Unidos enfrentam uma ameaça muito menor do que a Europa no que diz respeito a extremistas "nativos".

Segundo Watson, enquanto a Europa continua a ter problemas com muçulmanos hostis de segunda ou terceira geração, o fenômeno é praticamente inexistente nos Estados Unidos.

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