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Atualizado às: 05 de maio, 2006 - 20h34 GMT (17h34 Brasília)
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Câmara italiana discute banheiro exclusivo para transexuais

Deputado foi eleito com plataforma pelo casamento gay
Um dos primeiros itens na pauta dos deputados recém-eleitos na Itália é a criação de banheiros exclusivos para transexuais no prédio da Câmara.

Na semana que vem, o novo Parlamento italiano elege o Presidente da República que vai substituir Carlo Azeglio Ciampi, cujo mandato termina no dia 18.

É um passo decisivo para a formação do novo governo, que será chefiado por Romano Prodi.

Às vésperas dessas votações, porém, um problema logístico ganhou a atenção da mídia e movimentou as salas do antigo Palácio de Montecitorio, atual sede da Câmara.

Luxuria

O prédio projetado por Gianlorenzo Bernini em 1650, a pedido do papa Inocencio X, passou por várias reformas ao longo dos séculos, mas não dispõe de um banheiro para o deputado Vladimir Luxuria.

Eleito pelo partido Refundação Comunista, Vladimiro Guadagno, de 41 anos, é mais conhecido como Vladimir Luxuria.

Ator, ativista político e organizador de manifestações de grupos homossexuais, ele é o primeiro transexual a fazer parte do Parlamento italiano.

"Normalmente, usamos o banheiro das mulheres porque os homens ficam sem jeito", declarou à imprensa.

O próprio deputado se define como "transgênero", uma pessoa que não é reconhecidamente nem do sexo masculino e nem do feminino e que não se identifica com a definição de transexual, porque não mudou de sexo com uma operação cirúrgica.

O deputado Lucio Barani, do Partido Socialista italiano, afirma que as coisas devem ser mais claras: "transgêneros", em sua opinião, não devem usar banheiro de homem, nem de mulher, mas ter o seu próprio.

Protesto

Para protestar contra o uso do banheiro feminino por parte de Luxuria, Barani enviou uma reclamação formal ao presidente da Câmara dos Deputados, Fausto Bertinotti, ex-presidente do partido Refundação Comunista.

Na carta, que definiu como sendo uma "questão parlamentar urgente", Lucio Barani pede solução rápida ao problema.

"Visto que decidiu-se abrir a representação parlamentar aos transgêneros, é preciso criar uma toalete específica, eliminando uma barreira arquitetônica e um grave mal-estar psicológico", argumenta na carta, divulgada pelo jornal Corriere della Sera.

Indignado pela reação ao problema, Vladimir Luxuria disse não merecer o privilégio de ter um banheiro só para ele, o que seria também uma forma de segregação.

"Há momentos difíceis e até constrangedores na vida de um trans, como o uso de banheiros públicos", declarou o deputado. Para ele, drag queens, transgêneros e transexuais devem usar os banheiros das mulheres.

"Mas baixar o nível da política a este ponto é um jeito de perder tempo e não se interessar pelos problemas das pessoas", protestou.

A solução do caso depende do presidente da casa, Fausto Bertinotti. É ele quem deve decidir se encaminha ou não o problema ao setor administrativo.

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