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Atualizado às: 20 de abril, 2006 - 08h24 GMT (05h24 Brasília)
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Berlusconi se recusa a admitir derrota eleitoral
Silvio Berlusconi
Berlusconi diz que analisa novas contestações legais ao resultado
O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, se recusa a admitir a derrota nas eleições gerais da semana passada, apesar de uma decisão da Justiça na quarta-feira confirmando a vitória do bloco de centro-esquerda liderado por Romano Prodi.

A vitória de Prodi, por pequena margem, foi confirmada após uma recontagem de votos a pedido de Berlusconi, que alegava irregularidades.

Após uma reunião com seus assessores, Berlusconi afirmou que estava analisando a possibilidade de novas ações legais para contestar o resultado da eleição.

Seu ministro da Economia, Giulio Tremonti, disse à TV italiana que “algumas anomalias” ainda precisavam ser esclarecidas.

Sandro Bondi, coordenador nacional do partido de Berlusconi, o Forza Italia, disse que a Justiça deveria ampliar sua revisão para incluir “irregularidades” nos votos recebidos de italianos no exterior.

Vitória magra

A decisão da Suprema Corte na quarta-feira confirmou a vitória de Prodi na votação para a Câmara de Deputados por 19.002.598 votos contra 18.977.843 da coalizão de Berlusconi – uma diferença de apenas 24.755 votos.

A corte revisou 2,1 mil cédulas que não haviam sido incluídas inicialmente na contagem total, já que a intenção dos eleitores não estava clara.

Uma revisão de outras 3,1 mil cédulas de votação para senadores ainda está em andamento, mas não deve alterar a vitória do bloco de Prodi no Senado.

Após a proclamação da Suprema Corte, Prodi disse que não havia mais dúvidas sobre sua vitória. “Nós trabalharemos para merecer a confiança que nossos eleitores nos mostraram e para ganhar a confiança daqueles que legitimamente decidiram votar para a outra coalizão”, disse.

Questionado se havia recebido um telefonema de Berlusconi, Prodi respondeu: “Estou esperando”.

Isolamento

Berlusconi poderia estabelecer uma batalha legal nos próximos dias, mas deve se ver cada vez mais isolado dentro de sua própria coalizão, segundo os analistas.

Um dos partidos da coalizão de centro-direita, o UDC, já admitiu a derrota eleitoral.

Alguns analistas acreditam que Berlusconi está somente tentando prejudicar o futuro governo de Prodi, esperando que ele seja breve – conduzindo, na prática, a próxima campanha eleitoral.

A decisão da Justiça significa que Prodi pode iniciar os trabalhos para a formação de um governo, mas ele não deve tomar posse antes de que o Parlamento escolha um novo presidente.

Pela Constituição italiana, o presidente deve autorizar a formação de um governo. O atual chefe de Estado, Carlo Azeglio Ciampi, cujo mandato termina em meados de maio, já disse que deixará a tarefa para seu sucessor.

O novo Parlamento deve tomar posse em 28 de abril.

Silvio Berlusconi (esq.) e Romano ProdiEleições na Itália
Entenda o que estava em jogo na votação do Parlamento.
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