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Atualizado às: 25 de março, 2006 - 11h17 GMT (08h17 Brasília)
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Rússia nega ter ajudado Saddam no início da guerra
Estátua de Saddam Hussein é derrubada em 2003
Saddam também teria tido papel decisivo em vitória americana
A Rússia negou neste sábado ter fornecido informações a Saddam Hussein sobre os movimentos militares americanos nos primeiros dias da invasão do Iraque em 2003.

A alegação foi feita em um relatório do Departamento de Defesa dos Estados Unidos (Pentágono), supostamente baseado em documentos apreendidos e em relatos de membros do antigo governo iraquiano.

"Acusações semelhantes, sem fundamento, envolvendo o serviço de inteligência russo já foram feitas mais de uma vez", disse um porta-voz do Serviço Externo de Inteligência, Boris Labusov, segundo a agência de notícias Interfax.

O relatório do Pentágono também dizia que os russos teriam passado uma informação falsa sobre a escolha da data da invasão que teria ajudado os americanos.

Segundo o Pentágono, a Rússia teria passado os detalhes por meio do seu embaixador em Bagdá.

O relatório mencionou ainda um memorando iraquiano que citava "fontes russas" na sede do comando militar no Qatar.

"A informação que os russos coletaram de suas fontes dentro do comando central americano em Doha é que os Estados Unidos estão convencidos de que é impossível ocupar cidades iraquianas", diz um trecho do documento iraquiano reproduzido pelo Pentágono.

Ataque surpresa

A informação de inteligência falsa passada pela Rússia se referia à data na qual os Estados Unidos planejavam iniciar um ataque a Bagdá.

Um documento do ministro do Exterior iraquiano dirigido a Saddam Hussein com data de 2 de abril de 2003 e supostamenre citando inteligência russa dizia que o ataque não teria início até que a 4ª Divisão de Infantaria do Exército americano não chegasse, por volta de 15 de abril.

Isso teria reforçado a impressão que os militares americanos estavam tentando passar, a fim de pegar os iraquianos de surpresa com um ataque antecipado, disse o Pentágono.

Na realidade, o ataque à capital iraquiana começou bem antes da chegada daquela divisão, e a cidade passou para o controle dos americanos cerca de uma semana antes do dia 15 de abril.

O mesmo memorando iraquiano dizia que tropas americanas pretendiam isolar Bagdá do sul, leste e norte do país.

"O que é significativo é que o regime iraquiano estava também recebendo inteligência dos russos que sustentava a desconfiança de que o ataque pelo Kuwait era apenas uma distração", diz o relatório do Pentágono.

O Departamento de Defesa cita o interesse russo no petróleo iraquiano e sugere que as supostas ações da Rússia teriam sido "provocadas por interesse econômico".

'Interferência'

O relatório do Pentágono também diz que a liderança militar ineficaz de Saddam Hussein foi um fator decisivo na derrota de suas forças.

"O fator que mais contribuiu para a derrota total das forças militares iraquianas foi a interferência constante de Saddam", diz o documento.

O correspondente da BBC no Pentágono, Adam Brookes, diz que, no geral, o relatório mostra Saddam Hussein como um chefe sem contato com a realidade - preocupado em prevenir confusão interna e com a ameaça apresentada pelo Irã.

O documento de 210 páginas do Pentágono - Iraqi Perspectives Project (ou Projeto de Perspectivas Iraquianas, em tradução livre) - tem o objetivo de ajudar os funcionários do governo americano a entender como os militares iraquianos se prepararam para a invasão e como lutaram contra ela.

Há duas versões do relatório - uma com informação classificada como secreta e outra sem esse tipo de informação.

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