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Atualizado às: 21 de março, 2006 - 09h52 GMT (06h52 Brasília)
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Oposição vira a noite em praça da capital de Belarus
Oposição continua o seu protesto no centro de Minsk
Centenas de manifestantes viraram a noite na principal praça da capital de Belarus, Minsk, em protesto contra a reeleição do presidente Alexander Lukashenko.

A oposição acampada na praça de Outubro, no centro da capital, enfrentou temperaturas negativas para marcar a sua indignação contra o processo eleitoral que consideram "armado".

Dois dos principais candidatos da oposição se juntaram aos manifestantes na praça. Eles prometem manter a vigília até que sejam convocadas novas eleições.

Representantes da União Européia também condenaram as eleições de domingo, alegando que a votação, na qual Lukashenko garantiu 82,6% dos votos, aconteceu sob um "clima de intimidação".

Ainda no domingo, cerca de 10 mil pessoas saíram à praça de Outubro para protestar contra os resultados.

'Golpe'

Na noite seguinte, cerca de metade dos manifestantes voltaram às ruas em um protesto convocado pelo principal candidato oposicionista, Alexander Milinkevich.

"O nosso protesto vai ser longo e forte. Não vamos reconhecer essa eleição nunca. Não é uma eleição, mas um golpe inconstitucional", disse o candidato derrotado.

Ao longo da noite de segunda-feira, o número de manifestantes foi caindo até que apenas os ocupantes de cerca de 15 barracas permaneceram, gritando palavras de ordem e bebendo água quente para se manterem aquecidos.

As tropas de choque da polícia bielorussa foram mantidas de prontidão nas ruas de acesso à praça, e teriam sido registrados alguns confrontos com manifestantes que tentavam levar mantimentos para a praça.

Entre as autoridades que criticaram a eleição está o deputado alemão no Parlamento europeu Elmar Brook, que preside a comissão de política externa e direitos humanos da UE.

"Acho que toda essa eleição foi uma farsa. Acredito que foi uma típica eleição nos moldes comunistas que vimos acontecer nos anos 40, 50 e 60 no Leste Europeu", disse Brook à BBC.

A acusação foi repetida pela ministra do Exterior da Áustria, Ursula Plassnik.

Lukashenko foi taxado pelos Estados Unidos de "o último ditador da Europa", mas muitos representantes europeus disseram que, antes de qualquer ação, é preciso esperar uma avaliação formal dos observadores eleitorais.

No entanto, a comissária de Relações Exteriores da UE, Benita Ferrero-Waldner, já falou abertamente da possibilidade de adotar sanções contra o país.

"Pelo que vimos até agora, a minha visão é muito provável (que tomemos) alguma ação", disse Ferrero-Waldner.

"Tentativas descaradas"

Lukashenko, nas suas primeiras declarações como presidente reeleito, descreveu as eleições como "livres e justas" e disse que "a revolução contra ele fracassou".

"Apesar das descaradas tentativas estrangeiras de ditar os nossos rumos e a pressão colossal, eles não conseguiram nos dobrar. Pelo contrário, o inverso aconteceu. O povo bielorusso não aceita ser mandado e é inútil fazer pressão sobre ele", afirmou em um discurso em rede nacional.

Segundo as autoridades eleitorais, o principal adversário de Lukashenko no pleito, Alexander Milinkevich, conquistou apenas 6% dos votos.

O comparecimento às urnas deverá ficar em 92,6%, de acordo com dados oficiais.

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