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Atualizado às: 15 de março, 2006 - 13h02 GMT (10h02 Brasília)
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Palestinos fazem greve em protesto a cerco em prisão
Palestino carrega bandeira na frente dos restos da prisão palestina
Palestino carrega bandeira na frente do que sobrou do presídio
Milhares de palestinos tomaram as ruas da Cisjordânia nesta quarta-feira para protestar contra a invasão de uma prisão em Jericó na terça-feira.

A operação israelense resultou na captura de Ahmed Saadat e de outros cinco prisioneiros, que passaram da custódia da Autoridade Palestina à de Israel. Dois palestinos também foram mortos quando tropas israelenses apoiadas por tanques e helicópteros tomaram o presídio.

O governo israelense acusa Saadat de envolvimento na assassinato, em 2001, do então ministro de Turismo, Rehavam Zeevi, e alega que tinha indícios de que ele e outros detentos seriam libertados.

Em Ramallah, Nablus e Hebron, cidades da Cisjordânia, manifestantes carregavam retratos de Saadat. Em Gaza, escolas ficaram fechadas e o comércio não funcionou.

Embaixadas

Segundo a agência de notícias France Presse, militantes da Frente Popular pela Libertação da Palestina (FPLP) tentaram entrar no escritório de uma organização americana em Ramallah, mas foram impedidos por forças de segurança palestinas.

"Nós vamos queimar embaixadas, especialmente as britânica e americana", gritavam os manifestantes, segundo o correspondente da France Presse em Ramallah.

A população palestina já havia atacado o Conselho Britânico e um prédio da União Européia na terça-feira.

Na terça-feira, o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas condenou o ataque e criticou a saída dos observadores americanos e britânicos da cadeia pouc antes do ataque.

A Grã-Bretanha justificou a retirada, dizendo que a Autoridade Palestina não cumprira sua parte, pondo a segurança dos monitores em risco.

Os militantes também chegaram a seqüestrar 11 estrangeiros, mas todos já foram libertados.

Abbas

Parte dos protestos era dirigida ao presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, que voltou antes do previsto de uma viagem pela Europa por causa da crise.

"Está claro que os britânicos e americanos disseram à Autoridade Palestina (AP) que estavam indo saindo; e a AP não nos contou. O presidente Abbas precisa explicar o que aconteceu e por quê", disse Wissam Rafidi, um membro do comitê da FPLP, à France Presse.

Saadat estava sob custódia palestina desde o início de 2002 e foi transferido para a prisão de Jericó sob supervisão internacional seguindo os termos de um acordo com Israel para que fosse levantado o cerco ao quartel-general do líder palestino Yasser Arafat em maio daquele ano.

O principal tribunal palestino determinou a sua libertação um mês depois, argumentando que não havia provas do seu envolvimento no assassinato do ministro israelense.

Saadat foi eleito para o Parlamento palestino no início deste ano e tanto Abbas como o grupo militante Hamas, que saiu vencedor nas eleições, falaram na sua libertação.

Israel, no entanto, afirma Saadat será julgado na Justiça israelense. O país também está interrogando dezenas de prisioneiros apanhados durante o cerco.

Autoridades em Israel e na Cisjordânia continuam em estado de alerta temendo mais violência em resposta à ação na prisão.

A viagem de Abbas pela Europa era considerada importante, já que a União Européia é o maior doador de dinheiro para a Autoridade Palestina - a ajuda chega a U$ 340 milhões ao ano.

Mas desde a vitória do Hamas - que consta da lista de organizações terroristas da UE - nas eleições parlamentares, o bloco europeu vem reavaliando a sua posição.

O primeiro-ministro israelense em exercício, Ehud OlmertCerco em Jericó
Para esquerda israelense, ação foi 'eleitoreira'.
Ahmed SaadatAhmed Saadat
Militante capturado era o principal sob custódia palestina.
Conflito no Oriente MédioOriente Médio
Saiba mais sobre o conflito entre Israel e palestinos.
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