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Atualizado às: 12 de dezembro, 2005 - 09h09 GMT (07h09 Brasília)
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Explosão mata parlamentar na capital do Líbano
Atentado em Beirute
Desde fevereiro, ao menos 14 explosões ocorreram em Beirute
Pelo menos três pessoas morreram, entre elas o parlamentar libanês anti-Síria Gibran Tueni, na explosão de um carro-bomba na capital do Líbano, Beirute, nesta segunda-feira.

O comboio de veículos em que Tueni viajava foi alvo do ataque quando passava pelo subúrbio de Mekallis, predominantemente cristão, no leste de Beirute.

Tueni era um dos principais críticos da dominação síria do Líbano, e divulgava suas posições por meio de seu jornal, Al-Nahar.

Um grupo previamente desconhecido, auto-intitulado Lutadores pela Unidade e Liberdade do Levante, divulgou um comunicado reivindicando a autoria do atentado. A veracidade do comunicado não foi comprovada.

Segundo a agência de notícias Reuters, o primeiro-ministro do Líbano, Fuad Siniora, disse que pedirá que o Conselho de Segurança das Nações Unidas investigue o atentado e estabeleça um tribunal para investigar o assassinato do ex-premiê Rafik Hariri, ocorrido em fevereiro em um outro atentado em Beirute.

O ataque desta segunda-feira ocorreu poucas horas antes de uma equipe da ONU apresentar suas conclusões em uma investigação sobre o assassinato de Hariri ao Conselho de Segurança.

O relatório, que será debatido na terça-feira, criticou novamente a Síria pela lentidão de sua cooperação com as investigações. O texto também sugere que há crescentes evidências do envolvimento e do conhecimento da Síria sobre o atentado contra Hariri.

"Carta Aberta"

Gibran Tueni
Tueni era um grande crítico da influência síria no Líbano
"Muitos libaneses consideram o comportamento da Síria no Líbano completamente em descompasso com os princípios de soberania, dignidade e independência", escreveu Tueni em "carta aberta" ao filho do falecido presidente sírio Hafez Al-Assad, Bashar, que seria seu sucessor.

Na época, quando um grande número de soldados e agentes de inteligência sírios estavam posicionados no Líbano, usar palavras como "desconforto" sobre a Síria era algo considerado uma forte crítica.

A carta gerou muito debate no Líbano muito antes de o Conselho de Segurança da ONU aprovar resolução para a retirada de soldados sírios de território libanês.

O veterano político libanês Walid Jumblatt acusou a Síria pela morte de Tueni. O governo sírio negou qualquer envolvimento e disse que o ataque foi promovido para prejudicar a reputação do país antes da divulgação das investigações da ONU sobre a morte de Hariri.

“A Síria denuncia este crime que tomou as vidas de libaneses, independentemente de suas posições políticas’, disse o ministro da Informação da Síria, Mahdi Dakhl-Allah, à TV LBC.

Os Estados Unidos classificaram o assassinato de Tueni de “um ato atroz”. “As forças da opressão e da tirania tiraram do povo libanês um dos seus maiores defensores da liberdade e mataram um corajoso advogado da independência e da soberania libanesa”, disse um comunicado da embaixada americana em Beirute.

O ministro das Relações Exteriores da França, Philippe Douste-Blazy, disse que o ataque foi promovido por aqueles que tentam desestabilizar o Líbano. “A comunidade internacional permanece unida e determinada do lado do Líbano durante este período crucial para seu futuro”, disse.

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