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Atualizado às: 11 de dezembro, 2005 - 16h24 GMT (14h24 Brasília)
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China prende chefe da força que matou manifestantes
Manifestação na vila de Taishi, em setembro deste ano
Protesto estão se tornando cada vez mais comuns no interior da China
O governo da província de Guangdong, no sul da China, anunciou neste domingo que prendeu o comandante da força policial que abriu fogo contra manifestantes na vila de Dongzhou, matando vários deles na última terça-feira.

Os chineses protestavam contra a desapropriação de suas terras, que darão lugar a uma usina de energia.

De acordo com as autoridades chinesas, três pessoas morreram em Dongzhou. Testemunhas, porém, dizem que até 20 pessoas devem ter sido mortas pelos disparos dos policiais.

Se a informação dada pelas testemunhas for confirmada, o incidente, que aconteceu na última terça-feria, poderá se tornar o mais grave do país no que se refere ao uso da força policial contra manifestantes desde o protesto pró-democracia na praça da Paz Celestial (Tiananmen) em Pequim, em junho de 1989.

Acredita-se que centenas de pessoas foram mortas durante a repressão ao protesto de 1989, embora o governo chinês até hoje se recuse a prestar esclarecimentos sobre o episódio.

Tentando acalmar

Dessa vez, entretanto, a atitude das autoridades parece ter mudado.

A detenção de um comandante policial envolvido na repressão a protestos é algo inusitado para o governo comunista e sugere, segundo a agência AP, que os líderes chineses estão tentando acalmar os habitantes de Dongzhou, que estão revoltados e são vistos discutindo com policiais.

O anúncio da prisão do comandante também informa que médicos foram enviados à área para tratar os feridos. Uma investigação sobre o episódio também foi anunciada pelo governo.

No início, as autoridades chinesas tinham defendido o uso de armas contra os mais de 170 manifestantes, dizendo que eles atacaram a polícia com coquetéis molotov, facas e dinamites, de acordo com a agência oficial de notícias Xinhua.

Eles acusaram "agitadores" de terem incitado a multidão à violência, usando o ressentimento contra a desapropriação de terras para a construção de uma usina de energia na área.

Protestos contra a corrupção, a poluição e a desapropriação de terras para a construção de usinas energéticas, shoppings e outros projetos públicos estão se tornando cada vez mais comuns no interior da China.

"Caos"

"Já estava ficando escuro quando a multidão caótica começou a atirar explosivos. A polícia não teve opção senão atirar", diz o relato da agência oficial sobre o protesto.

A polícia teria informado ainda que três pessoas morreram instantaneamente enquanto outras três sofreram ferimentos fatais e faleceram depois.

Testemunhas também disseram a uma rádio americana que transmite para a Ásia que o protesto começou depois que centenas de policiais tentaram dispersar mais de mil manifestantes.

Desapropriação

Aparentemente, os manifestantes estavam muito irritados porque não foram justamente indenizados pela terra desapropriada para a construção de uma usina geradora de energia elétrica.

Um protesto por motivo semelhante - mas de maiores proporções - aconteceu este ano na vila de Taishi, também na província de Guandong.

Os moradores acusaram o chefe da vila de ter desviado fundos públicos num negócio envolvendo a venda de terras.

O confronto entre os moradores locais e as forças de segurança durou por diversas semanas.

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