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Atualizado às: 05 de novembro, 2005 - 02h30 GMT (00h30 Brasília)
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França prende ao menos 30 em nova onda de violência
Ministro do Interior francês, Nicolas Sarkozy, disse que os distúrbios estão longe do fim
Ministro do Interior francês, Nicolas Sarkozy, disse que os distúrbios estão longe do fim
A violência que vem tomando conta dos subúrbios de Paris nos últimos dias se espalhou por pelo menos outras três cidades da França na madrugada deste sábado.

Em todo o país, pelo menos 30 pessoas foram presas por causa de incidentes relacionados aos distúrbios iniciados nos subúrbios.

Segundo o primeiro-ministro francês, Dominique de Villepin, mais carros foram queimados fora de Paris do que na periferia da cidade, onde os protestos de rua vinham se concentrando.

Menos da metade dos incidentes de queima de veículos em toda a França nesta sexta-feira foi na região da Grande Paris. O restante foi em Strasburgo (leste), Rennes (oeste) e Toulouse (sul).

Os incidentes violentos registrados fora da capital francesa, no entanto, foram isolados e esporádicos, ao contrário do que acontece nos subúrbios de Paris, onde a revolta já dura nove dias e atinge principalmente a área de Seine-Saint-Denis.

Fontes policiais disseram à agência de notícias France Presse que pequenos grupos de jovens voltaram a vagar pelas ruas dos subúrbios, mas sem buscar confrontos.

Ainda assim, alguns puseram fogo em dez carros, dois prédios e uma padaria em Val d'Oise, segundo a agência Reuters. Dois galpões também foram incendiados em Seine-Saint-Denis.

Villepin se reuniu nesta sexta-feira com 15 jovens dos subúrbios tomados pelos protestos para discutir formas de restaurar a calma.

"Eu acho que ele apreciou este encontro e queria aprender coisas. Foi uma iniciativa muito boa, ele está realmente tentanto resolver os problemas", disse Anyss, de 18 anos, que estava no encontro, segundo a agência de notícias Reuters.

As manifestações são vistas como a expressão do descontentamento de jovens pobres do subúrbio, muito deles imigrantes de ex-colônias francesas na África.

A maioria dos distúrbios ocorreu na área de Seine-Saint-Denis, onde predominam comunidades de imigrantes, e 1,3 mil policiais foram enviados para o local.

A revolta começou na quinta-feira da semana passada depois que os adolescentes Bouna Traore, de 15 anos, e Zyed Benna, de 17 anos, filhos de imigrantes, morreram eletrocutados por acidente em uma estação de energia quando, segundo testemunhas, fugiam da polícia.

As autoridades negam que agentes policiais estivessem perseguindo os dois no momento do acidente.

Desde então, os confrontos entre jovens dos subúrbios pobres e a polícia vêm ganhando terreno a cada noite, expondo o que os analistas têm rotulado como um óbvio fracasso de sucessivos governos em lidar com os problemas sociais dos subúrbios pobres e habitados majoritariamente por imigrantes afrianos vindos das ex-colônias da França na África.

O próprio ministro do Interior, Nicolas Sarkozy, afirmou nesta sexta-feira que os problemas que estão na origem da violência nos subúrbios de Paris foram negligenciados nos últimos 30 anos.

Segundo o ministro francês, rival político do premiê, ainda será necessário muito tempo para resolver o problema nos subúrbios.

Líderes comunitários das áreas afetadas, onde predominam comunidades árabes e africanas, afirmam que estão tentando isolar os mais radicais entre os manifestantes.

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