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Reforma da ONU não guia política externa do Brasil, diz Amorim | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, disse em entrevista concedida no programa Hard Talk, que foi ao ar na manhã desta terça-feira pelo canal de TV BBC World que a ampliação do Conselho de Segurança da ONU não é o centro da política externa brasileira. "A primeira prioridade do Brasil é a integração da América do Sul e a mudança da geografia do comércio. Agora 52% de nosso comércio é feito com países em desenvolvimento", disse o ministro. Para o ministro, a reforma é importante para conferir legitimidade política ao organismo. "Qualquer reforma da ONU será incompleta se o Conselho de Segurança não for ampliado". Oposição americana Questionado por Stephen Sackur, apresentador do programa, sobre a motivação de Amorim em defender o ingresso do Brasil no Conselho de Segurança, Amorim disse que uma vantagem comparativa do país é sua capacidade de resolver pacificamente seu problema com os vizinhos. "Temos fronteiras com dez países. Somos o segundo ou terceiro país em número de países vizinhos. E por 130 anos não temos guerra", contou Amorim durante o programa. O ministro brasileiro negou que a proposta de ampliação possa afetar a eficácia do Conselho, respondendo a uma pergunta de Sackur. Amorim disse que a questão da eficácia deve ser considerada por meio de dois ângulos. "Um é a capacidade de tomar decisões. Se tivéssemos apenas um país no Conselho de Segurança, isso seria ainda mais fácil. De outro lado, porém, temos a capacidade de a comunidade mundial seguir aquelas decisões". Sobre a oposição dos Estados Unidos à proposta brasileira, Amorim disse que "a reforma do Conselho também seria algo bom para eles". "O Brasil pode construir pontes que algumas vezes outros países não podem", disse o chanceler. Durante a maior parte da entrevista, Sackur levantou questões em torno de uma suposta prentensão do Brasil em criar um novo pólo de poder no mundo, que poderia afetar as relações do país com os EUA e a Europa. G-20 Amorim, contudo, enfatizou que o Brasil não está sozinho em sua estratégia de diversificar os centros mundiais de poder, dizendo que outros países, como Índia e África do Sul, acompanham a liderança brasileira no G-20, o grupo de 20 países em desenvolvimento que negocia o fim dos subsídios agrícolas no comércio mundial. Sackur perguntou a Amorim se a organização de encontros multilaterais como as cúpulas promovidas com países sul-americanos e árabes não seriam uma forma demarcar diferenças com os EUA. "Não é para desafiar ninguém. Vamos olhar para o mundo árabe. Há 10 milhões de pessoas no Brasil descendentes de árabes. Por que devemos olhar o mundo árabe pelos olhos dos Estados Unidos ou da Europa? Isso é bastante pragmático. Nosso comércio com eles cresceu 60% em dois anos." O chanceler brasileiro admitiu que há dificuldades geradas pelo escândalo de corrupção que atingiu o governo Lula e sua base parlamentar. "Não podemos escondê-la, mas ela tem sido tratada de forma democrática." Amorim rechaçou o argumento de que o governo brasileiro teria agido rapidamente no caso do brasileiro Jean Charles de Menezes, morto a tiros pela polícia londrina em julho, em razão do apelo publicitário do acontecimento, enquanto enfrenta dificuldades no Brasil para combater a violência policial. "Todas as autoridades britânicas com quem eu tenho falado sobre isso nao têm recorrido a esse argumento, porque é um péssimo argumento, um argumento dos tablóides", disse irritado o ministro. |
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