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Senado dos EUA aprova US$ 10 bi para vítimas do Katrina | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O Senado americano aprovou em sessão especial nesta quinta-feira a liberação de US$ 10,5 bilhões em verbas para financiar operações de assistência às vítimas do furacão Katrina. A medida será submetida nesta sexta à Câmara dos Representantes, onde também deverá ser aprovada. Políticos das duas casas voltaram antes das suas férias para votar a liberação dos fundos. Os recursos foram pedidos pelo presidente americano, George W. Bush, que vem sendo criticado por demorar para responder à crise. Nas últimas 24 horas, no entanto, Bush falou publicamente sobre a tragédia três vezes e pediu aos ex-presidentes George Bush, seu pai, e Bill Clinton para liderar uma campanha de arrecadação de recursos nos Estados Unidos – como os dois fizeram depois do tsunami na Ásia. "A recuperação vai ser um longo processo e o governo federal vai fazer a sua parte, mas o setor privado também precisa fazer a sua. E foi por isso que eu pedi aos presidentes Bush e Clinton para liderar um esforlo nacional para ajudar as vítimas do furacão Katrina", afirmou Bush, que deve visitar algumas das áreas devastadas nesta sexta-feira. Segundo a assessoria de imprensa da Casa Branca, o presidente – que já sobrevoou algumas áreas na quinta-feira – visitará as cidades de Mobile, no Alabama, e Biloxi, em Mississipi, e sobrevoará esses dois Estados e a Louisiana. De acordo com informações da agência de notícias Reuters, organizações não governamentais já receberam US$ 90 milhões em doações privadas. Mais de 20 países, incluindo o Brasil, ofereceram assistência humanitária ao governo americano. Nova Orleans Após uma passagem pela Flórida na semana passada, o Katrina atingiu os Estados de Mississippi, Alabama e Louisiana (este não diretamente) no domingo à noite. Bush, que estava em férias no seu rancho no Texas, voltou na quarta-feira, antes do previsto, para Washington, de onde fez o seu primeiro pronunciamento nacional sobre a catástrofe que deixou milhares de desabrigados e um número ainda desconhecido de mortos. Em Nova Orleans, uma das cidades mais afetadas, as autoridades estão tentando evacuar milhares de pessoas para outros Estados. De 15 mil a 20 mil aguardam no ginásio esportivo Superdome para ser levados locais seguros. O prefeito de Nova Orleans, Ray Nagin, divulgou nesta quinta-feira o que ele próprio descreveu como um SOS desesperado, no qual disse o centro de convenções da cidade não é seguro nem tem as condições sanitárias para as milhares de pessoas que estão refugiadas no local. Com 80% da cidade inundada, sem luz nem água potável, a cidade virou palco de tiroteios, seqüestros e roubos em toda a cidade, segundo relatos de testemunhas. Há informações de que grupos armados invadiram hotéis na cidade, e que as pessoas estão invadindo lojas, casas, hospitais e prédios de escritórios. A correspondente da BBC Elizabeth Blunt informa que Nova Orleans já é normalmente uma cidade violenta, com um índice de crimes 10 vezes maior do que a média nacional. Além disso, diz a correspondente, segundo informações do mais recente censo americano, 21% das famílias não têm carros, o que pode ter complicado ainda mais a situação já que as pessoas foram orientadas pelas autoridades a deixar a cidade por conta própria. De acordo com a própria Agência de Administração de Emergências do governo federal, pelo menos 100 mil pessoas não tinham meio de transporte para sair de Nova Orleans. Blunt diz ainda que as cenas que têm visto cenas em Nova Orleans se assemelham às de um país pobre, como o Haiti. Brasileiros O cônsul brasileiro em Houston, Carlos Pimentel, pode ir nesta sexta-feira para a capital da Lousiana, Baton Rouge, para pressionar o governo americano a localizar as duas turistas brasileiras que estavam dentro do Superdome de Nova Orleans durante o furacão. Desde quinta-feira, um funcionário do consulado está de plantão dentro do estádio em Houston para onde estão sendo levados os desabrigados que estão sendo transferidos do estádio de Nova Orleans. Ele fica no local com uma bandeira do Brasil, esperando que as duas brasileiras, Monica e Letícia, o vejam. As duas turistas foram para o Superdome no domingo, logo depois de chegarem a Nova Orleans e ficarem sabendo da evacuação obrigatória. Conseguiram telefonar rapidamente para a família no Brasil, mas a bateria do celular acabou e elas ficaram incomunicáveis, já que não existe energia elétrica em Nova Orleans. O consulado de Houston vem tentando, sem sucesso, obter informações junto ao governo americano. Além delas, o consulado está cuidando do caso de quatro outros brasileiros, que pediram ajuda para sair de Nova Orleans em segurança, já que a violência aumentou muito nos últimos dias, com pessoas armadas pelas ruas. Três são turistas que nesta quinta-feira deixaram o hotel em que estavam e compraram passagens de ônibus mas a confusão era tão grande no local que não conseguiram embarcar. Quando voltaram, o hotel em que estavam hospedados havia fechado. A quarta vítima do Brasil é uma mulher que vive em Nova Orleans e está em casa, mas tem medo de sair sozinhna e quer a ajuda da polícia para sair em segurança. O governo brasileiro divulgou nesta quinta-feira uma nota informando que não há nenhum brasileiro entre as vítimas do furacão Katrineaaté agora. Pedidos de informação sobre brasileiros desaparecidos devem ser dirigidos aos consulados de Miami e de Houston. Mississippi No Estado de Mississippi, as autoridades estão pedindo paciência aos que ficaram desabrigados por causa do furacão. O governador Hayley Barber tentou justificar a demora da ajuda com a extensão dos estragos e a destruição das estradas. O correspondente da BBC Daniel Lak diz, no entanto, que três dias depois da tempestade muita gente está frustrada e irritada com o governo. Diante do risco de surtos de doenças, as pessoas estão sendo orientadas a ferver tudo, exceto água engarrafada, e a ouvir o rádio para se informar sobre os locais de distribuição de comida e outros suprimentos. Gasolina Também nesta quinta-feira, o presidente americano prometeu o envio de um total de mais de 20 mil soldados da Guarda Nacional para ajudar nas operações de resgate e segurança na cidade. Em uma entrevista transmitida pela TV, Bush também afirmou que haverá "tolerância zero" para todos que violarem a lei. Ele também prometeu mais ajuda à região afetada, com mais alimentos, água potável, barcos e helicópteros. O presidente pediu aos americanos para consumirem combustível com moderação enquanto não houver a normalização da produção, prejudicada pelos estragos que Katrina deixou nas instalações petrolíferas no Golfo do México. Segundo a agência de notícias Reuters, o preço médio do galão (3,78 litros) de gasolina atingiu US$ 3, chegando a aumentar 50 centavos de um dia para o outro. Ainda segundo a Reuters, em Atlanta, mais perto das regiões mais afetadas pelas enchentes em Louisiana, Mississippi e Alabama, o galão chega a custar US$ 5 nos postos. |
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