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Em Nova Orleans, Bush diz que não esquecerá o que viu | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O presidente americano, George W. Bush, disse que não esquecer o que viu no seu giro pelas áreas devastadas pelo furacão Katrina, nesta sexta-feira. "Eu vou voar daqui em um minuto, mas eu quero que você saiba que eu não vou esquecer o que vi. Eu entendo que a devastação exige mais de um dia de atenção", afirmou Bush. O presidente fez o pronunciamento em Nova Orleans, a cidade que mais sofreu com as tempestades levadas pelo furacão e último ponto de um giro do presidente pelas áreas afetadas. "Eu acredito que a grande cidade de Nova Orleans vai se levantar novamente e ser uma Nova Orleans melhor", disse o presidente, que brincou que às vezes se divertia "demais" nas suas viagens à cidade quando mais jovem. Trabalhos de resgate Bush também citou os esforços de resgate, dizendo que as evacuações por terra e ar de Nova Orleans estavam em curso e as barragens da cidade estavam sendo reconstruídas. Localizada abaixo do nível do mar, a cidade – que não foi diretamente atingida pelo Katrina – continuou a inundar mesmo depois das chuvas porque o sistema de comportas falhou, deixando entrar a água dos lagos que cercam Nova Orleans. Bush disse ainda que o governo está prestando atenção a todas as vítimas, inclusive aquelas de áreas remotas. A visita a Louisana, Alabama e Mississippi ocorreu em meio a críticas de que o presidente estaria respondendo de forma lenta e inadequada à tragédia. Os ataques partem principalmente dos próprios desabrigados, que se sentem abandonados, e das autoridades das áreas afetadas. No início da viagem pelas áreas devastadas, em Mobile, Alabama, o presidente disse que o trabalho do governo federal tem adiante é "imenso", mas será feito. "Temos uma responsabilidade de salvar vidas e este é o primeiro objetivo agora. Cada vida é preciosa e vamos passar muito tempo salvando vidas, seja em Nova Orleans ou na costa do Mississipi. Temos a responsabilidade de limpar tudo", disse Bush em Mobile. Antes de chegar ao Alabama, Bush condenou a resposta inicial ao furacão Katrina, afirmando que a ação "não foi aceitável". O Congresso americano aprovou uma verba de emergência de US$ 10,5 bilhões (cerca de R$ 24,7 bilhões) para ajudar a região afetada pelo furacão. A lei foi aprovada na Câmara dos Representantes depois de passar pelo Senado. Segundo a agência de notícias France Presse, o senador republicano do Estado da Louisiana David Vitter afirmou nesta sexta-feira que o número de mortos em seu Estado, onde fica Nova Orleans, pode passar de 10 mil. Alimentos e violência Ainda durante a parada em Mobile, Bush afirmou que a entrega de alimentos aos sobreviventes é prioridade. "Para diminuir a violência, temos que entregar alimentos às pessoas. Esta é a primeira missão, alimentar as pessoas. E há muito alimento sendo levado, mas uma coisa é entregar estes suprimentos a uma estação, outra é fazer chegar às pessoas. Vamos passar muito tempo nos concentrando nisto", afirmou. Milhares de pessoas ainda estão isoladas sem alimentos ou água em Nova Orleans, na Louisiana, onde mais soldados foram enviados para lidar com a crescente onda de crimes na cidade. Explosão Uma área próxima ao Rio Mississippi em Nova Orleans foi atingida por uma série de explosões nesta sexta-feira, que criaram uma grande nuvem de fumaça preta no céu da cidade. Acredita-se que as explosões envolvam uma fábrica de produtos químicos. A polícia enviou uma equipe para verificar se gases tóxicos foram liberados para a atmosfera. As explosões ocorreram enquanto mais soldados estão sendo enviados para a cidade, no Estado americano da Louisiana, para conter uma onda de criminalidade. Milhares de pessoas ficaram isoladas em Nova Orleans, sem comida ou água, depois da passagem do furacão Katrina, na segunda-feira. O incidente aconteceu depois que a governadora de Louisiana, Kathleen Blanco, afirmou que 300 guardas nacionais "testados em batalha" foram enviados à cidade. "Eles têm metralhadoras M-16 armadas e carregadas. Essas tropas sabem atirar para matar e eu espero que eles o façam", disse ela. Washington prometeu mais 4,2 mil guardas nos próximos dias e disse que 3 mil soldados também podem ser enviados à cidade onde a violência tem atrapalhado os esforços de resgate. Pessoas morrendo O chefe das operações de emergência em Nova Orleans descreveu os esforços na cidade como uma desgraça nacional. O prefeito da cidade, Ray Nagin, irritado, denunciou o nível de ajuda externa que a cidade está recebendo: "Pessoas estão morrendo aqui", disse. Milhares de pessoas foram, finalmente, retiradas do estádio Superdome, onde mais de 20 mil pessoas estavam abrigadas em condições precárias desde a passagem do Katrina. Matt Frei, correspondente da BBC em Nova Orleans, afirmou que as condições em outro ponto, o Centro de Convenções da cidade, onde mais de 20 mil também estavam isolados, são ainda piores.
"Há quase um asilo inteiro retirado e colocado no centro há cinco dias, pessoas em cadeiras de rodas, sentadas, morrendo lentamente", disse. A situação piorou ainda mais devido à falta de confiança da população, em sua maioria negra e pobre, na polícia, em sua maioria branca, segundo o correspondente. Mais de 60 mil pessoas ainda podem estar isoladas na cidade, segundo a Guarda Costeira americana. Os saques devastaram Nova Orleans, pessoas que ficaram sem casa devido à inundação, estão cada vez mais desesperadas. Há muitos tiroteios, seqüestros e relatos de estupros. A governadora da Louisiana, Kathleen Blanco, disse a uma rede de televisão americana que "não tinha idéia" de quantas pessoas morreram devido à resposta inadequada ao desastre. "Não queremos culpar ninguém... Estou tentando salvar vidas", ela disse. |
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