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Atualizado às: 01 de setembro, 2005 - 03h03 GMT (00h03 Brasília)
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Mortos em tumulto no Iraque são pelo menos 960
Equipes de emergência reuniram os sapatos das vítimas do tumulto na mesquita de Kadhimiya
Equipes de emergência reuniram os sapatos das vítimas do tumulto
Pelo menos 960 pessoas morreram em Bagdá no tumulto provocado por rumores de que havia homens-bomba no meio de uma multidão que se dirigia a uma cerimônia xiita, de acordo com informações do Ministério do Interior iraquiano.

Centenas de pessoas também ficaram feridas.

Pessoas desesperadas procuram parentes desaparecidos entre os corpos que se acumulavam nos corredores dos hospitais e nas calçadas, informa o correspondente da BBC em Bagdá, John Brain.

A tragédia começou quando um milhão de xiitas que se dirigiam para a mesquita de Kadhimiya entraram em pânico diante dos boatos de que havia homens-bomba entre eles.

A confusão começou justamente quando as pessoas passavam por uma ponte, que liga a área sunita de Adhamya, na margem leste do Rio Tigre, e a área xiita de Kadhimiya, na margem oeste.

"Nós pulamos da ponte. O meu filho estava comigo, eu não sei o que aconteceu com ele. Eu não sei se ele pulou ou se morreu no tumulto", disse um sobrevivente ao correspondente da BBC.

Segundo John Brain, na ponte podem ser vistos os sapatos das vítimas que foram esmagadas até a morte ou que caíram no rio Tigre quando o corrimão da ponte desabou.

Muitas das vítimas, crianças, mulheres e idosos, foram esmagados ou morreram afogados.

"Ato deliberado"

Tiros disparados pela Guarda Nacional apenas contribuíram para a histeria geral, que o governo iraquiano atribuiu à ação de terroristas.

"Foi um ato terrorista deliberado. Pessoas no meio da multidão começaram a gritar que havia homens-bomba entre a multidão, o que obviamente causou o pânico", afirmou o porta-voz do primeiro ministro Ibrahim Jaafari, Bashar al-Nahar.

"Mais uma vez os terroristas estão recorrendo a táticas que vão além do que qualquer um poderia imaginar, apenas para espalhar pânico."

Antes da tragédia, o clima de Bagdá estava tenso por causa de uma série de ataques de morteiros contra o templo, que mataram 16 pessoas e deixaram mais de 30 feridas.

Um grupo militante sunita reivindicou a autoria desse ataque em uma mensagem divulgada em um site da internet usado com freqüência por grupos ligados à rede Al-Qaeda.

Mortes

O tumulto já resultou no maior número de mortes de uma única vez desde a invasão do Iraque em 2003.

Antes da confirmação do Ministério do Interior, inspetor-geral do Departamento de Saúde, Adil Abdullah, havia dito que o número pode chegar a mil.

O primeiro-ministro iraquiano, Ibrahim Al-Jafari, afirmou que o incidente vai aumentar a determinação dos iraquianos, em se manterem unidos.

Segundo Jaafari, o templo, para onde as vítimas se encaminhavam antes do tumulto, era um símbolo para todos os iraquianos, independente de suas afiliações religiosas.

"Este desgosto será uma razão forte para manter a união do Iraque e alcançar a integridade islâmica. (A mesquita do) Imã Musa Al-Kazim, não é apenas um símbolo xiita islâmico, mas também um símbolo para toda a humanidade, no Iraque e em outros lugares", disse.

A peregrinação era uma homenagem ao Imã xiita Musa Al-Khadim, para marcar o martírio e morte, no século 8.

Segundo o correspondente John Grain, a possibilidade de um ataque em um dos dias mais sagrados do calendário xiita sempre esteve presente. O temor agora, diz Grain, é que a tragédia acirre ainda mais as divisões sectárias no Iraque.

O governo do Iraque decretou luto oficial de três dias.

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