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Colonos judeus resistem a sair da Faixa de Gaza | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Soldados iraelenses que entregam ordens de despejo nesta segunda-feira a colonos na Faixa de Gaza vêm encontrando resistência firme, mas não violenta, no início da retirada do território ocupado desde 1967. Em Neve Dekalim, o maior assentamento da região, militantes radicais judeus de outras áreas bloquearam a entrada principal para tentar impedir a passagem de soldados israelenses. Cerca de 9 mil pessoas têm dois dias para deixar todos os assentamento de Gaza e alguns na Cisjordânia ou serão removidas à força. Mais de 40 mil soldados e policiais isralenses são parte da operação. Violência na madrugada A retirada israelense teve início nesta segunda-feira com algumas cenas de violência durante a madrugada. Em Neve Dekalim, centenas de jovens colonos atacaram um jipe do Exército de Israel que tentou entrar na colônia. Eles acabaram sendo contidos por um rabino e líderes dos colonos que argumentaram que aquelas ações não ajudavam a causa dos assentamentos. Cinco colônias haviam dito que não permitiriam a entrada das autoridades. A polícia disse que não vai, por hora, forçar a entrada para entregar as ordens. Rádios israelenses também divulgaram durante a madrugada relatos não confirmados de explosões – possivelmente provocadas por morteiros palestinos – nos assentamentos de Gadid e Kfar Darom. Os colonos têm ainda dois dias para deixar suas casas voluntariamente antes que o Exército comece a retirada forçada. Desde a meia-noite do domingo, as entradas dos assentamentos estão fechadas e é ilegal para qualquer cidadão israelense permanecer nas colônias da Faixa de Gaza. Temores Apesar da tensão em Neve Dekalim, a expectativa de analistas e observadores israelenses é de que os colonos resistirão à saída majoritariamente de forma pacífica. Líderes dos colonos os vêm instruindo para não sair de casa até que o Exército force a retirada, mas que evitem agressões físicas ou mesmo verbais contra os soldados. “Deve haver algumas cenas de violência moderada. Acho que o que mais vamos ver são lágrimas tanto das pessoas que terão que deixar suas casas como dos soldados que terão que expulsá-los”, disse o jornalista Meir Uziel, reconhecido como um importante porta-voz da direita israelense. No entanto, há o temor de que militantes da direita israelense – que vêm se infiltrando nos assentamentos nas últimas semanas – ou grupos militantes palestinos possam provocar violência.
O chefe do Estado-Maior de Israel, general Dan Halutz, disse no entanto que isso não vai impedir a ação dos militares. “Podem ser 3, 4 ou 5 mil pessoas. Ninguém vai impedir que o Exército faça ser cumprida a lei que foi aprovada pelo Parlamento e assinada pelo governo”, disse o militar. “Pode ser que eles (os penetras) façam com que a operação seja mais colorida, mas espero que eles não a façam mais violenta. Nós não estamos indo com nenhuma intenção de violência”, completou. Palestinos No caso dos grupos palestinos, teme-se que eles ataquem para tentar apresentar a imagem ao mundo de que os israelenses estão fugindo da Faixa de Gaza. No último sábado, o grupo islâmico Hamas concedeu uma rara coletiva de imprensa – com presença de todos os seus principais líderes em um local público – para dizer que a retirada de Israel se deve à resistência armada e afirmar que ações deste tipo vão continuar. “O Hamas afirma que continua comprometido com a resistência armada. Este é a nossa opção estratégica para acabar com a ocupação de nossas terras”, disse o líder militante Ismail Hanya. O Hamas não deu nenhuma indicação, no entanto, de qual será o comportamento da organização durante os dias cruciais da retirada durante esta semana. A Autoridade Nacional Palestina (ANP), por outro lado, reafirmou a disposição em continuar negociando com Israel. A ANP classifica de positiva a saída da Faixa de Gaza mas reclamou que não é verdade que se trate de um desocupação completa. “Enquanto os israelenses continuarem controlando nosso espaço aéreo e as entradas e saídas da Faixa de Gaza, permanecemos como um território ocupado e sob as provisões da Convenção de Genebra”, disse em uma entrevista coletiva na Cidade de Gaza o ministro da informação da Autoridade Nacional Palestina, Nabil Shaath. Autoridades da ANP também têm dito que a retirada de Gaza é apenas um passo no caminho da “liberação da Palestina”. O presidente Mahmoud Abbas disse nesta semana – e alguns ministros palestinos repetiram a declaração depois – que a retirada de agora é um passo no caminho de Jerusalém. Israel já planejou também a saída de colonos de quatro assentamentos no norte da Cisjordânia – a região tem 120 colônias – mas não há nenhuma discussão em curso sobre Jerusalém. O status da cidade é sempre um grande problema nas negociações entre os dois lados, já que Israel considera Jerusalém sua “capital única e indivisível” e nem admite a possibilidade de compromissos a respeito dela. Violência Enquanto os colonos religiosos baseiam a defesa da permanência nos assentamentos em textos sagrados, a direita secular diz que não há nenhum garantia de que a retirada vá reduzir a violência e diz que ela pode mesmo aumentar. O temor é de que grupos militantes palestinos se sintam fortalecidos pela avaliação de que a saída se deveu a resistência armada e intensifiquem os ataques. “Não é verdade que terra traga paz. Todas as concessões feitas por Israel até hoje foram respondidas pelos palestinos com mais violência. É errado premiar terroristas com concessões”, disse o jornalista Meir Uziel. |
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