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Acusado em escândalo na ONU admite culpa | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Um alto funcionário do setor de licitações da ONU, Alexander Yakovlev, admitiu nesta segunda-feira ser culpado das acusações de conspiração, fraude e lavagem de dinheiro, relacionadas ao seu envolvimento no escândalo de corrupção no programa Petróleo por Comida. As acusações foram apresentadas por um procurador federal de Nova York depois que uma investigação independente encontrou provas de que Yakovlev recebeu US$ 950 mil em pagamentos ilegais de empresas que trabalhavam com o programa. As informações sobre as irregularidades supostamente cometidas pelo funcionário constam do terceiro relatório da comissão que investiga, sob a supervisão do ex-secretário do Tesouro americano Paul Volcker, o escândalo na ONU. O documento, divulgado nesta segunda-feira, também acusa o ex-diretor-executivo do programa Benon Sevan de “se beneficiar corruptamente” do programa. Juntos, Sevan e Yakovlev teriam recebido mais de US$ 1 milhão (cerca de R$ 2,5 milhões). Sevan renunciou no domingo ao cargo honorário que ainda ocupava na ONU, mas se disse inocente e acusou o secretário-geral da entidade, Kofi Annan, de estar o sacrificando por conveniência política. O programa Petróleo por Comida permitia ao governo de Saddam Hussein vender quantidades limitadas de petróleo para poder comprar alimentos e remédios para a população iraquiana. Paraíso fiscal No processo iniciado nesta segunda-feira, o gabinete do procurador federal baseado em Nova York David Kelley acusa Yakovlev de receber "pelo menos diversas centenas de milhares de dólares". A correspondente da BBC Brasil em Nova York, Angela Pimenta, informa que, de acordo com o relatório, os pagamentos ilícitos a Yakovlev foram depositados em uma conta bancária em um paraíso fiscal. Ainda segundo a comissão, foram rastreados depósitos no valor de mais de US$ 147 mil (R$ 340,2 mil) feitos na conta de Benon Sevan e sua mulher entre dezembro de 1998 e janeiro de 2003. Antes de se desligar da ONU no domingo, Sevan havia se aposentado da ONU, mas permanecia registrado como funcionário da organização e recebia um salário simbólico de US$ 1 (cerca de R$ 2,31) por ano para manter sua imunidade diplomática. Ele também havia sido suspenso em fevereiro, mas manteve o cargo honorário para que pudesse ajudar nas investigações. A comissão recomendou a Annan que sejam prosseguidas as investigações e retiradas as imunidades dos envolvidos. As apurações sobre o envolvimento do próprio secretário-geral, no entanto, não foram conclusivas, informa a correspondente da BBC Brasil. Segundo Paul Volcker, Annan ainda “não está exonerado” pelas apurações. |
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