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Milhares vão a funerais de árabes mortos em Israel | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Milhares de pessoas compareceram nesta sexta-feira ao funeral das quatro pessoas mortas em um ônibus por um extremista israelense na cidade de Shfaram, no norte de Israel. O autor do ataque, identificado como um soldado desertor chamado Eden Nathan Zaada, de 19 anos, foi linchado pela multidão depois que acabaram as balas de sua arma. As autoridades temem que o caso gere mais hostilidades no país, que já vive momentos de tensão devido à aproximação da data de início da retirada israelense da Faixa de Gaza. Um contingente extra de 2 mil policiais foi enviado para Shfaram. Também estão deslocados agentes das forças de segurança para áreas consideradas sensíveis em torno de Jerusalém, como o Monte do Templo, que é sagrado tanto para muçulmanos como para judeus. A correspondente da BBC Shfaram Lucy Williamson diz que o clima no local é de uma tristeza muda, com a raiva bruta do dia anterior dando lugar a um sentimento de pesar entre os habitantes. Greve e calma Com a mobilização, as autoridades israelenses esperam evitar novos incidentes. Teme-se que extremistas judeus tentem algum tipo de ação para tentar atrapalhar a retirada da Faixa de Gaza decidida pelo governo do primeiro-ministro Ariel Sharon. Israelenses de origem árabe prometem realizar uma greve em protesto contra as mortes. De acordo com o deputado árabe-israelense Mohammed Barakeh, que visitou o local do incidente, todas as vítimas eram árabes-israelenses e viviam em Shfaram. Além dos três mortos, pelo menos 12 outras pessoas ficaram feridas, e algumas continuam em estado grave. O chefe da polícia israelense, Moshe Karadi, fez um apelo para que todos os habitantes do país mantenham a calma e esperem os resultados de um inquérito oficial sobre o caso. A mídia israelense afirma que três adolescentes foram presos por suspeita de que sabiam das intenções de Zaada. Problemático Zaada vivia no assentamento judeu de Tapuah, na Cisjordânia.
Ele havia desertado o Exército israelense para protestar contra a retirada da Faixa de Gaza. A mídia israelense tem informado que, segundo o Exército, Zaada tinha um histórico “problemático”. Ele seria membro do partido extremista Kach, que é ilegal. Seu pai, Yitzak Natan Zaada, disse que havia pedido ao Exército que tentasse descobrir o paradeiro do filho. “Eu não achei que ele fosse fazer alguma coisa”, disse Zaada à agência de notícias Associated Press. Discussão De acordo com uma testemunha, o extremista abriu fogo enquanto estava conversando com o motorista do ônibus, que seria um dos mortos no ataque. A polícia retirou os passageiros do ônibus depois dos tiros e tentou proteger o autor dos disparos, mas ele foi apedrejado e morto pela multidão. As forças de segurança israelenses qualificaram o incidente como "um ataque terrorista judaico". Sharon, por sua vez, disse que se tratou de uma "tentativa deliberada de prejudicar as relações entre os cidadãos de Israel". |
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