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Discurso sobre Iraque rende críticas e apoio a Bush | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O discurso de terça-feira à noite do presidente americano, George W. Bush, sobre o Iraque vem gerando reações opostas nos Estados Unidos e no Iraque. O senador Joseph Biden, o principal membro do Partido Democrata no Comitê das Relações Exteriores do Senado americano, criticou a declaração de Bush de que não serão mandados mais soldados para o Iraque e disse que o presidente reconheceu que o país está virando um “santuário terrorista”. Mas outro peso-pesado do Senado em temas de política externa, o republicano John McCain, disse que Bush está “absolutamente certo” e que a chave do sucesso agora é reduzir o número de baixas sofridas pelas tropas americanas por meio da delegação de mais responsabilidades para as forças do governo iraquiano. No próprio Iraque, as reações também são mistas, com alguns parlamentares defendendo a permanência de tropas americanas até que a situação se acalme, mas outros cobrando que os Estados Unidos saiam do país o mais rápido possível. Santuário e progresso “Acabei de voltar da minha quinta viagem ao Iraque, e não encontrei um único general que que dissesse que tinha soldados suficientes”, disse Biden após o discurso em que Bush afirmou que as forças militares americanas no país não vão ser ampliadas. “Também não ouvi o presidente dizer o que ele vai fazer para conseguir mais ajuda do resto do mundo”, continuou Biden. Para Biden, durante o discurso Bush admitiu que o Iraque “não era um santuário terrorista”, mas está se tornando um agora “porque não conseguimos proteger suas fronteiras”. McCain, por sua vez, ecoou a opinião de Bush e disse que “estamos fazendo progresso” no Iraque. “Agora o mais importante é a redução de casualidades americanas”, disse o senador republicano. Para ele, isso pode ser obtido fazendo os iraquianos assumir as responsabilidades de garantir a segurança no país. “Nossas esperanças recaem sobre a capacidade deles, e acho que estamos fazendo progressos significativos nesta área.” Pais revoltados Mas as palavras do presidente não agradaram alguns americanos que perderam filhos no conflito iraquiano. “É interessante ouvir o meu presidente dizer falar sobre a reconstrução do Iraque”, disse Lila Lipscomb, cujo filho Michael morreu em ação em abril de 2003. “Quando você ouve relatos de soldados, a construção que está havendo por lá é de bases militares americanas.” Fernando Suarez, que perdeu seu filho Jesús no Iraque, disse que “não entende” Bush. “Por que ele disse em maio de 2003 que a missão havia sido cumprida, e hoje disse que estamos quase finalizando a nossa missão?” No Iraque No Iraque, o parlamentar curdo Mahmoud Othman disse à agência de notícias Associated Press que o discurso de Bush “não vai mudar nada nos problemas internos” do país. “Os iraquianos não prestam atenção em discursos deste tipo, eles prestam atenção em seus assuntos domésticos”, disse Othman. Mas, para o deputado Abbas Bayati, nas ruas do país a maioria das pessoas concorda com Bush que a presença dos americanos ainda é necessária. “É veradade que os iraquianos querem ser independentes e ter sua soberania reforçada”, disse Bayati à AP. “Mas ao mesmo tempo os iraquianos ainda precisam da presença de tropas multinacionais até que sua segurança e instituições de defesa estejam consolidadas.” |
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