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Atualizado às: 29 de junho, 2005 - 03h08 GMT (00h08 Brasília)
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Bush rejeita mudanças na estratégia dos EUA no Iraque
George W. Bush durante o discurso em Fort Bragg, na Carolina do Norte
Pesquisas mostram que presidente está perdendo apoio popular por causa da guerra
O presidente americano, George W. Bush, rejeitou mudanças na estratégia do seu governo no Iraque, argumentando que nem um cronograma para a retirada das tropas nem o envio de reforços ajudariam na estabilização do país.

"Mandar mais americanos minaria a nossa estratégia de estimular os iraquianos a assumir a liderança nesta luta. E mandar mais americanos sugeriria que nós pretendemos ficar para sempre – quando na verdade nós estamos trabalhando pelo dia em que o Iraque possa se defender sozinho e nós possamos partir", afirmou o presidente, num discurso para marcar o primeiro aniversário da transferência da soberania política para os iraquianos.

Bush disse ainda que fixar uma data para a retirada mandaria mensagens erradas para os iraquianos, que precisam saber que os Estados Unidos não vão deixar o país antes de completar a missão; para as tropas americanas, que precisam saber que os esforços no país são sérios; e, finalmente, para o inimigo, que saberia que tudo que precisa fazer é esperar a retirada.

Ainda defendendo a estratégia política e militar no Iraque, Bush destacou a transferência do poder e a realização de eleições no país como grandes avanços no país.

"Nós vamos ficar na luta até que essa luta seja vencida", disse o presidente, sendo aplaudido pela platéia de militares que assistiu ao seu discurso na base de Fort Bragg, na Carolina do Norte.

No pronunciamento de 28 minutos, Bush disse ainda que o Iraque é o mais recente "campo de batalha" no que chama de guerra contra o terrorismo.

"Muitos terroristas que matam homens, mulheres e crianças inocentes nas ruas de Bagdá são seguidores da mesma ideologia assassina que tirou as vidas dos nossos cidadãos em Nova York, Washington, e Pensilvânia. Há apenas um curso de ação contra eles: derrotá-los fora antes que eles nos ataquem em casa."

Reação democrata

Havia grande expectativa em torno do pronunciamento por causa do impacto negativo da situação no Iraque sobre a popularidade do presidente.

Uma pesquisa feita para a TV ABC News e o jornal Washington Post indica que a maioria dos americanos acredita que o governo americano os "enganou deliberadamente" (52%) durante a preparação para a guerra.

Ainda de acordo com a pesquisa, um número maior (57%) acredita que o governo "intencionalmente exagerou as evidências de que o Iraque pré-guerra tinha armas nucleares, químicas e biológicas".

Na opinião do diretor de Estudos Internacionais da Universidade de Middlebury, Jeffrey Cason, no entanto, o discurso não trouxe "novidade nenhuma" e o efeito na opinião pública americana pode ser o oposto do desejado pelo governo.

"A população dos Estados Unidos quer saber o que vai acontecer no futuro. (Ao) Falar que não tem uma data, acho que pode parecer que ele não tem um plano final e isso vai trazer mais problemas", afirmou Cason, em entrevista à BBC Brasil.

"O presidente repetiu as mesmas coisas que vem falando há muito tempo. Parece que ele quer segurar a queda popularidade. Pode ser que pare de cair, mas acho que não vai subir."

O Partido Democrata, de oposição, disse que Bush perdeu uma "excelente oportunidade" de oferecer aos americanos uma forma de avaliar os progressos no Iraque.

"Há um crescente sentimento entre o povo americano de que a política do presidente para o Iraque está a esmo, desconectada da realidade em campo e necessita de grandes correções no meio do percurso", afirma uma nota divulgada pelo líder democrata no Senado, Harry Reid.

Segundo Reid, persistir com a atual estratégia, como defendeu o presidente, não é sustentável "nem deve levar ao sucesso que nós todos buscamos".

Bush disse que continuará fazendo decisões com base nos conselhos que importam, o "sóbrio julgamento" dos militares no país. "Se os nossos comandantes disserem que nós precisamos de mais tropas, eu vou mandá-las."

11 de setembro

O presidente lembrou os atentados de 11 de setembro de 2001 diversas vezes durante o pronunciamento, voltando a dizer que os Estados Unidos estão lutando uma guerra global contra o terrorismo.

"Esta nação não vai esperar ser atacada de novo", disse o presidente.

"A única forma de os nossos inimigos vencerem é nos esquecermos as lições de 11 de setembro (de 2001). É se nós abandonarmos o povo iraquiano a homens como (Abu Musab) Zarqawi e se nós entregarmos o futuro do Oriente Médio para homens como (Osama) bin Laden."

As referências a 11 de setembro, no entanto, foram criticadas pela oposição democrata.

"As numerosas referências a 11 de setembro não ofereceram uma solução para o Iraque, apenas serviram para lembrar o povo americano de que o nosso inimigo mais perigoso, nominalmente Osama bin Laden, ainda está solto e que Al Qaeda permanece capaz de causar grande dano a esta nação quatro anos depois de atacar os Estados Unidos", diz a nota divulgada pelo senador democrata Harry Reid.

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