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Atualizado às: 05 de maio, 2005 - 09h22 GMT (06h22 Brasília)
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US$ 100 mi administrados pelos EUA somem no Iraque
sujeira e esgoto a céu aberto em rua de Bagdá
O governo dos EUA vem sendo duramente criticado por seu trabalho na Iraque
As autoridade civis americanas no Iraque não conseguiram prestar contas de quase US$ 100 milhões (cerca de R$ 250 milhões) que tinham sido destinados à reconstrução do país, segundo auditores financeiros.

Um relatório do Inspetor Especial Geral para a Reconstrução do Iraque (Sigir, na sigla em inglês) diz que foram encontrados sinais de fraude em potencial.

A distribuição de recursos era de responsabilidade da Autoridade Provisória da Coalizão liderada pelos Estados Unidos e mais tarde de uma organização administrada pela embaixada americana no Iraque.

O dinheiro perdido inclui recursos da venda de petróleo iraquiano e de patrimônio desapropriado do governo de Saddam Hussein.

Outro relatório critica o uso de quase US$ 18 bilhões (cerca de R$ 45 bilhões) de dinheiro dos contribuintes americanos para reconstrução.

'Lavagem'

O Sigir concluiu que de quase US$ 120 milhões (cerca de R$ 300 milhões) pagos em dinheiro no sul e centro do Iraque, mais de US$ 7 milhões (mais de R$ 17 milhões) não foram encontrados e não há registro contábil apropriado de outros pagamentos no valor de US$ 89 milhões (mais de R$ 220 milhões).

O relatório descreve problemas significativos, e acusa os administradores de "simplesmente lavar as contas" para tentar equilibrar a contabilidade.

Exemplos de erros:

  • Um empreiteiro foi pago duas vezes pelo mesmo serviço.
  • Foram apresentados dez pagamentos de mais de US$ 300 mil (R$ 750 mil) para contratos cancelados.
  • Dois funcionários do setor de pagamentos deixaram o Iraque sem prestar contas de mais de US$ 700 mil (mais de R$ 1,7 milhão).
  • Foram feitas mais de 600 transferências, num total de mais de US$ 23 milhões (mais de R$ 57,5 milhões), com o formulário errado.

O senador democrata americano Russ Feingold classificou a administração de recursos como "medíocre" (a palavra em inglês foi "sloppy", que também pode ser traduzida como "sujo").

"Bilhões de dólares, o sucesso da missão de estabilização e a credibilidade dos Estados Unidos estão em jogo, e esses relatórios inspiram pouca confiança na competência e na transparência do esforços dos Estados Unidos até então", disse Feingold.

"Há o risco de os EUA alimentarem uma cultura de corrupção no Iraque."

Embaraço

O correspondente da BBC em Washington, Ian Pannell, diz que esta é a primeira vez que autoridades americanas foram investigadas dessa maneira.

Um porta-voz dos auditores insistiu que não estavam dizendo que o dinheiro tinha desaparecido, e sim que não havia sido encontrado.

Mesmo assim, Pannell diz que isso será um embaraço em Washington, onde a forma pela qual o governo lidou com os esforços de reconstrução do Iraque foi duramente criticada.

As revelações coincidem com uma retomada da violência no Iraque, onde pelo menos 82 pessoas morreram em atentados na quarta e quinta-feiras.

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