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Cardeal defende tradições da Igreja em missa pré-conclave | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O cardeal alemão Joseph Ratzinger, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, defendeu nesta segunda-feira a necessidade da Igreja Católica de preservar suas tradições e combater as tendências de modernização. A declaração foi feita durante a celebração de uma missa no Vaticano com a presença dos 115 cardeais que participam a partir desta segunda-feira do conclave para a escolha do novo pontífice. Na missa, os cardeais pediram orientação divina na escolha do novo líder da Igreja Católica. O alemão, de orientação conservadora e favorável a uma Igreja fortemente centralizada, é apontado entre especialistas do Vaticano e nas casas de apostas como um dos favoritos para suceder João Paulo 2º. Ratzinger atacou o que classificou como "ditadura do relativismo". "Ter uma fé clara, baseada no credo da Igreja, é geralmente rotulado hoje como fundamentalismo", afirmou. "Enquanto o relativismo, que é se deixar mover por todos os ventos dos ensinamentos, parece ser a única atitude aceitável aos padrões de hoje." "Estamos caminhando rumo a uma ditadura do relativismo que não reconhece nada como se fosse certeza e que tem como maior objetivo o próprio ego e os próprios desejos", disse ele aos cardeais reunidos na Basília de São Pedro. 'Dádiva' Ratzinger também pediu a Deus que o novo papa seja uma "dádiva" semelhante ao papa João Paulo 2º. "Nesta hora, rezamos especialmente e insistentemente ao Senhor para que, após a dádiva de João Paulo 2º, que nos seja novamente dada a dádiva de um pastor em harmonia com seu próprio coração, um pastor que nos guie ao conhecimento de Cristo, ao seu amor, à real alegria. Amém", disse Ratzinger. Às 16h30 (horário local, 11h30 em Brasília), os cardeais vão se fechar na Capela Sistina para começar o conclave que vai escolher o novo papa. Eles vão rezar na Capela Sistina, e depois começar o processo de eleição, que consiste em até quatro votações por dia até que seja escolhido o sucessor de João Paulo 2º. São necessários pelo menos dois terços dos votos. O conclave deve decidir se vai fazer uma votação ainda nesta segunda-feira ou se os cardeais continuam o processo de reflexão e discussão, transferindo a primeira votação para a terça-feira pela manhã. Medidas rigorosas foram adotadas para garantir que as deliberações não sejam conhecidas pelo mundo exterior. Áreas do Vaticano foram isoladas e todos os funcionários que entrarem em contato com os cardeais fizeram voto de silêncio. Telefones celulares, jornais e televisão foram proibidos e foi feita uma varredura na Capela Sistina para garantir que não há qualquer microfone escondido. Desde domingo, muitos cardeais se mudaram para a Casa de Santa O local foi construído por ordem de João Paulo 2º para que os cardeais tivessem algum conforto durante o processo de escolha de seu sucessor. Espírito Santo O papa João Paulo 2º foi escolhido depois de oito eleições, em três dias. Nos últimos cem anos, os conclaves nunca duraram mais do que poucos dias. Em sua homilia na missa de domingo em Roma, o cardeal Oscar Andres Rodríguez Maradiaga, de Honduras, disse que o processo de escolha do novo papa não é como outra decisão qualquer. "As pessoas acham que vamos votar como numa eleição", disse ele. "Mas isso é completamente diferente." "Vamos ouvir o Senhor e o Espírito Santo." |
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