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Atualizado às: 15 de abril, 2005 - 20h55 GMT (17h55 Brasília)
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Conciliador, d. Geraldo é crítico do governo Lula e do FMI

D. Geraldo Majella
D. Geraldo criticou o ajuste fiscal de Lula e o FMI
O cardeal primaz do Brasil, d. Geraldo Majella, de 72 anos, é reconhecido como um exímio conciliador por seus pares na Igreja Católica.

O bom trânsito deste mineiro de Juiz de Fora permitiu que ele fosse eleito presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) em abril de 2003.

No cargo, tem surpreendido por suas críticas ácidas à política econômica do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Na área moral e de costumes, é um defensor intransigente das posições da igreja em relação a temas como a pesquisa com transgênicos e o aborto.

Trajetória

D. Geraldo foi nomeado para a Arquidiocese de Salvador em 1999.

Trata-se da primeira arquidiocese do Brasil, fundada em 1551, o que lhe confere o título honorífico de “primaz” do país.

Antes, ocupou a secretaria da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos do Vaticano, onde viveu entre 1991 e 99. Entre 1982 e 91, foi arcebispo de Londrina, no Paraná.

À frente da CNBB, d. Geraldo tem se destacado pelas críticas ao governo.

O primeiro documento emitido pela entidade após sua posse afirma que a gestão Lula se orienta “mais pela bússola dos indicadores financeiros (que vão bem) do que pelos indicadores sociais (que vão mal)”.

Alguns meses depois, d. Geraldo pediu urgência ao presidente na solução dos problemas sociais.

“Para que o povo possa sobreviver dignamente, e não viver de assistencialismo”, disse o cardeal.

FMI

Dois meses depois, ele endureceu ainda mais o discurso, afirmando que os “conflitos sociais no Brasil são uma panela de pressão que está prestes a explodir”.

Em 2004, d. Geraldo voltou à carga contra o governo e atirou até contra o FMI.

“Não vejo a arrecadação recorde se refletir em benefício para o povo”, disse, criticando o ajuste fiscal.

“A arrecadação está no alto, mas não há um tostão para a parte social. Será que o FMI é tão cego que só quer levar o dinheiro? Será que o FMI não quer o bem de nenhum povo do mundo?”

Na área dos costumes, d. Geraldo ocupou as manchetes no início desse ano ao entrar com uma ação contra medida do Supremo Tribunal Federal que autorizou o aborto em casos de fetos anencéfalos (que, por problemas genéticos, não têm cérebro e morrem pouco depois de nascer).

“Daqui a pouco, vão dizer para liquidar qualquer um que seja considerado um estorvo para a sociedade”, afirmou o cardeal.

Ele também criticou a regulamentação do uso de sementes transgênicas, pois seria uma “manipulação da vida com objetivos financeiros”.

Curiosamente, o “moderado” d. Geraldo sempre foi muito próximo de um dos expoentes da corrente chamada “progressista”, o cardeal emérito de São Paulo, d. Paulo Evaristo Arns, de quem foi um dos principais assessores.

D. Geraldo chegou a dirigir o seminário da arquidiocese paulista entre 1975 e 1978, período mais duro do regime militar, quando a Igreja de São Paulo era o centro da resistência à ditadura.

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