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Atualizado às: 12 de abril, 2005 - 11h29 GMT (08h29 Brasília)
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Para governo palestino, não há paz com assentamentos
Sharon e Bush durante encontro no Texas
Sharon e Bush discutiram assentamentos e retirada de Gaza
Um influente integrante do governo palestino disse nesta terça-feira que Israel deve optar entre "os assentamentos ou a paz".

Segundo Saeb Erekat, um experiente negociador palestino, se o governo israelense não frear a expansão dos assentamentos judeus na Cisjordânia, o plano de paz apoiado pelos Estados Unidos não vai ter resultado.

"Se os assentamentos e a barreira (na Cisjordânia) continuarem, a visão do presidente (George W.) Bush vai evaporar", disse Erekat.

"No final das contas, é ou a paz ou os assentamentos. Ninguém pode ter os dois."

Na segunda-feira, Bush pediu a Israel que pare de expandir seus assentamentos em territórios palestinos ocupados na Cisjordânia e respeite o plano de paz para o Oriente Médio defendido pelos Estados Unidos, a União Européia, a Rússia e a ONU.

Rancho

Ele exigiu também que as autoridades israelenses desmontem os pequenos acampamentos ilegais estabelecidos por colonos em terras palestinas.

As declarações foram feitas em entrevista no seu rancho no Texas, onde recebeu a visita do primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon.

Erekat disse que seu governo espera que os israelenses dêem ouvidos a Bush.

"Esta é a principal obrigação de Israel de acordo com o plano de paz", disse ele.

"É preciso ter em mente que esta é a chave do problema."

Status final

"Eu disse ao primeiro-ministro (Sharon) que não adote nenhuma atividade que se oponha ao plano de paz ou prejudique as obrigações para o status final (das negociações de paz)", declarou Bush.

"Tanto os israelenses quanto os palestinos devem cumprir suas obrigações assumidas no 'roadmap'", acrescentou.

Indagado se estava decepcionado com a posição do presidente americano, Sharon respondeu: "Não estou decepcionado, nós dois estamos comprometidos com o 'road map'".

Ao mesmo tempo, Bush pediu ao líder palestino, Mahmoud Abbas, que apóie a retirada israelense da Faixa de Gaza e coordene suas atividades com o governo de Israel para que a saída dos colonos seja bem-sucedida.

Oportunidade

O presidente americano classificou a iniciativa de Sharon, que vai desmantelar 21 assentamentos judaicos da Faixa de Gaza e quatro da Cisjordânia a partir de julho, como uma "oportunidade", e pediu à comunidade internacional que ajude a população de Gaza.

"O premiê disse que está se retirando e que quer coordenação com os palestinos. Eu acredito que o mundo deve se erguer e ajudar os palestinos neste momento", afirmou.

Sharon, por sua vez, voltou a colocar pressão sobre a Autoridade Palestina para que tome medidas mais duras para desarmar os militantes islâmicos e conter a violência.

"Até agora, o terror continua. Para avançarmos, os palestinos precisam adotar mais medidas. Precisamos da suspensão total do terror e das hostilidades", declarou o premiê israelense.

"Espero que Abu Mazen (o presidente palestino, Mahmoud Abbas) queira a paz e tome os passos certos para permitir que avancemos."

Este foi o 11º encontro entre Bush e Sharon, líderes cujas afinidades políticas ficaram mais evidentes a partir do 11 de setembro e o início da "guerra ao terror" lançada pelos Estados Unidos.

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