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China e Coréia do Sul criticam livros de história do Japão | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O Japão aprovou uma série de novos livros de história para uso em escolas cuja versão de eventos passados já provocou queixas da Coréia do Sul e da China. Um dos oito livros é uma versão atualizada de uma publicação anterior que gerou protestos diplomáticos em 2001. O governo sul-coreano disse que os novos livros buscam glorificar o passado militarista do Japão, uma contínua fonte de tensão na área. A iniciativa se segue a uma disputa entre o Japão e a Coréia do Sul sobre ilhas reivindicadas pelos dois países e protestos contra os japoneses na China. "Glorificando" o passado A embaixada sul-coreana no Japão disse em nota oficial que "a República da Coréia lamenta o fato de que alguns dos livros escolares de nível médio japoneses para 2006 (...) ainda tenham conteúdo que justifica e glorifica erros cometidos no passado." Em Pequim, a China convocou o embaixador japonês e disse que os novos textos serão "veementemente condenados por povos de todos os países asiáticos vítimas do Japão". O governo japonês, que diz que só pode pressionar para uma alteração dos livros se contiverem erros factuais, alega que a decisão sobre os livros a serem usados está a cargo de cada distrito escolar. As escolas têm até agosto para tomar uma decisão. Os livros estarão à disposição de escolas de nível médio em abril de 2006. Sentimentos feridos O mais controvertido dos novos livros foi escrito por um grupo de historiadores nacionalistas chamado Sociedade para a Reforma de Livros Escolares de História, e sua primeira versão, publicada em 2001, levou Seul a pedir o retorno de seu embaixador por nove dias, em protesto. O embaixador chinês no Japão fez críticas ao livro nesta terça-feira. "Um livro escolar da editora Fushosha distorceu a história e feriu os sentimentos de povos da Ásia, inclusive da China", disse Wang Yi, segundo autoridades japonesas. Segundo essas autoridades, a declaração foi feita em reunião com o vice-ministro do Exterior do Japão, Shotaro Yachi. O governo japonês exigiu 124 modificações do livro, depois de reclamações em 2001. Elas foram apresentadas, mas o novo texto ainda contém elementos controvertidos. Ele se refere a matança de cerca de 300 mil civis na cidade chinesa de Naquim, praticado por japoneses, como um "incidente" e não um "massacre", como é conhecido. Este livro está sendo usado atualmente em menos de 0,1% das escolas do Japão, mas desta vez os autores esperam uma reação melhor a seu trabalho. "Omissão de detalhes" Há alegações de que os sete outros textos aprovados nesta terça-feira também omitem detalhes que os países vizinhos do Japão dizem serem necessários para um relato histórico equilibrado. Apenas um dos livros cita dados sobre o número de civis mortos no massacre em Naquim. Os outros dizem que "muitas pessoas" morreram. Um livro escolar de estudos cívicos aprovado nesta terça-feira também deverá causar polêmica por causa de ilhas cuja soberania é disputada por japoneses e sul-coreanos. O livro diz que "a Coréia do Sul está ocupando ilegalmente" as ilhas, conhecidas como Dokdo na Coréia do Sul e Takeshima no Japão. As tensões entre Japão e China aumentam. Empresas japonesas em duas cidades chinesas foram alvo, na segunda-feira, de protesto contra tentativas de Tóquio de obter um assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas. |
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