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Atualizado às: 22 de março, 2005 - 05h34 GMT (02h34 Brasília)
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Planos de reforma de Annan dividem membros da ONU
Kofi Annan
Annan cobrou ações corajosas dos governos
As propostas de reforma das Nações Unidas apresentadas pelo secretário-geral da entidade, Kofi Annan, dividiram países-membros.

"Francamente nós estamos céticos de que qualquer tipo de resolução sobre o uso da força (militar) seria útil", afirmou o porta-voz do Departamento de Estado americano, Adam Ereli.

Mas Ereli elogiou a idéia de abolir a Comissão de Direitos Humanos e substituí-la por um órgão menor que seria eleito pela Assembléia-Geral. Já o embaixador argelino na ONU, Abdalla Baali, disse que Annan teria problemas para criar um novo órgão para direitos humanos.

As propostas de Annan incluem ainda uma definição internacional para terrorismo e, provavelmente a mais polêmica delas, a ampliação do Conselho de Segurança.

Brasil

O Grupo dos 4, formado por Brasil, Alemanha, Japão e Índia, elogiou as propostas. O quarteto apóia a candidatura de qualquer um de seus membros a um lugar permanente no Conselho de Segurança.

"O Grupo dos 4 saúda o relatório como mais um sinal da forte liderança do Secretário-Geral na promoção de um sistema multilateral que habilitará a comunidade internacional a enfrentar, de modo eficaz, os desafios do século XXI", diz uma nota conjunta divulgada pelo Itamaraty.

Annan pediu por um Conselho de Segurança maior e mais representativo da comunidade internacional.

A nota diz ainda que o G-4 espera a adoção de uma resolução sobre a reforma do Conselho de Segurança até meados deste ano. "Após mais de uma década de discussão, as Nações Unidas finalmente precisam fazer com que a reforma aconteça."

Os governos de Canadá, Alemanha, Grã-Bretanha e França também elogiaram as idéias, que foram apresentadas num relatório no domingo e defendidas por Annan num discurso ao Conselho de Segurança nesta segunda-feira.

O embaixador da Alemanha na ONU, Guenter Pleuger, disse que a reforma aumetaria a eficácia e a credibilidade do Conselho de Segurança. O país não é membro permanente do Conselho, que é composto por Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, China e Rússia.

O representante nigeriano na entidade, Amin Wali, também se mostrou satisfeito com a proposta de que a África tenha duas cadeiras permanentes num Conselho de Segurança ampliado.

Ao defender as propostas, Annan fez um apelo para que os governos apóiem a realização de profundas reformas na organização.

O presidente George W. Bush telefonou para Annan para dizer que os Estados Unidos vão cooperar com a ONU nos planos de reforma.

No relatório em que detalha as suas propostas, Annan diz que os governos devem agir “com coragem” para adotar “as reformas mais profundas da história da ONU”.

“Para fazer o seu trabalho, a ONU precisa ser totalmente adequada às realidades de hoje”, disse Annan. “Ela pode e deve ser uma organização mundial eficiente e representativa, aberta e responsável perante o público, assim como os governos.”

As propostas apresentadas por Annan visam assegurar que a ONU, que foi afetada pelos acrimoniosos debates a respeito da guerra do Iraque, permaneça no centro do sistema de segurança global.

Elas foram apresentadas em momento em que a organização enfrente críticas devido à forma como foi administrado o programa de troca de petróleo por comida no Iraque durante o governo Saddam Hussein e por causa de alegações de abuso sexual cometidos por tropas de paz da ONU na República Democrática do Congo.

As reformas vão ser discutidas durante um encontro de líderes mundiais na ONU em setembro e devem ser endossadas pela Assembléia Geral da organização.

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