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Atualizado às: 16 de fevereiro, 2005 - 13h03 GMT (11h03 Brasília)
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Enterro de ex-premiê libanês pára Beirute
Rafik Hariri
Hariri se opunha ao atual governo, que é aliado da Síria
O ex-primeiro-ministro do Líbano Rafik Hariri, morto em um explosão de um carro-bomba na segunda-feira, foi enterrado na mesquita de Mohamed al-Amin nesta quarta.

Centenas de milhares pessoas convergiram para a mesquita depois da chega do cortejo fúnebre, dificultando o transporte do caixão de Hariri.

O caixão teve de ser carregado através da multidão, atravessando um mar de pessoas gritando palavras de ordem e carregando bandeiras do Líbano.

Muitos gritavam slogans contra a Síria, responsabilizando Damasco pela morte de Hariri, uma acusação rejeitada veementemente pela Síria.

Proximidade

Hariri e outras 14 pessoas foram mortas na explosão, no centro de Beirute.

A família do ex-premiê recusou a oferta de um funeral com honras de Estado, em meio a críticas ao governo do Líbano.

A oposição acusa o governo de ser muito próximo da Síria.

Entre os convidados estrangeiros presentes ao funeral estavam o secretário-geral da Liga Árabe, Amr Moussa, e o subsecretário de Estado americano, William Burns.

O presidente da França, Jacques Chirac, amigo de Hariri há décadas, está sendo esperado no Líbano.

Mar de tristeza

Uma ambulância decorada com uma única coroa de flores levou o corpo de Hariri desde sua mansão, no oeste de Beirute, até a mesquita.

Cartazes de Hariri foram pendurados em prédios e postes nas ruas onde passou o cortejo, em um trecho de 3 quilômetros.

Antes do início do cortejo, uma multidão se reuniu em frente à casa de Hariri, gritando slogans contra a Síria.

Depois de rejeitar a oferta de um funeral com honras de Estado, a família do ex-premiê pedira uma grande manifestação de apoio do povo libanês.

Uma grande operação de segurança foi montada para o funeral.

Policiais e tropas militares foram postadas ao longo do itinerário do cortejo.

Veículos blindados foram postos em ruas de trás e atiradores se posicionaram em telhados.

As manifestações contra a Síria tornaram-se violentas na terça-feira, quando milhares de manifestantes foram às ruas no porto de Trípoli e na cidade natal de Hariri, Sidon.

Uma multidão atacou um grupo de trabalhadores sírios em Sidon e há notícias de que um caminhão sírio foi incendiado no norte do país.

Pressão

A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, afirmou que a presença militar da Síria é um fator de desestabilização no Líbano – há mais de 10 mil soldados sírios no país vizinho.

Na terça-feira, o governo americano determinou que sua embaixadora na Síria, Margaret Scobey, voltasse aos Estados Unidos para “consultas urgentes”.

Rice disse que, apesar disso, não está atribuindo a Damasco a culpa sobre o ataque.

Assim mesmo, ela observou que Washington está discutindo com a ONU (Organização das Nações Unidas) uma resposta que poderia incluir novas sanções diplomáticas contra a Síria.

O Conselho de Segurança da ONU pediu ao secretário-geral, Kofi Annan, que investigue com urgência o assassinato de Hariri.

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