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Líbano diz que ex-premiê pode ter sido morto em ação suicida | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
As investigações iniciais sobre o atentado que matou o ex-primeiro-ministro libanês Rafik Hariri na segunda-feira em Beirute indicam que a ação foi realizada por um suicida. Segundo o ministro do Interior do Líbano, Suleiman Franjieh, um veículo carregado com explosivos foi conduzido na direção do comboio em que viajava Hariri antes da explosão. "Os serviços de segurança têm quase certeza de que se trata de um carro-bomba suicida. Isto não é um anúncio oficial, mas é quase certo", disse Franjieh numa entrevista coletiva. O país começou um período de três dias de luto nacional em homenagem ao ex-primeiro-ministro Rafik Hariri, morto em um atentado a bomba na capital libanesa, Beirute, na segunda-feira. Exército Escolas, bancos e lojas estão fechados. As ruas em Beirute estão praticamente desertas e as mesquitas estão organizando orações em homenagem a ele. O Exército do Líbano foi colocado em alerta e foram instalados postos de controle em vários pontos da cidade. Além de Hariri, pelo menos outras 13 pessoas morreram na explosão de um carro-bomba em uma movimentada rua junto à orla marítima e cerca de 120 pessoas foram feridas. A correspondente da BBC em Beirute Kim Ghattas disse que o ataque deixou o país em estado de choque e despertou temores de uma volta à guerra civil que devastou o país na década de 80. Hariri será sepultado com honras de Estado na quarta-feira. "Mobilização geral" As Forças Armadas do Líbano disseram num comunicado que "pediram uma mobilização geral de todas as unidades do Exército" e elevaram o estado de alerta ao máximo para "proteger a estabilidade". Hariri era considerado um opositor político do atual presidente, Émile Lahoud, tido como um aliado da Síria – país que mantém tropas em território libanês. Líderes da oposição no país acusaram os governos libanês e sírio de estarem por trás do ataque e exigiram a renúncia de Lahoud e a retirada das tropas sírias antes das eleições de maio. No entanto, num vídeo transmitido pelo canal de televisão Al-Jazeera, um grupo islâmico desconhecido até então reivindicou a ação. O grupo se identifica como Vitória e Jihad na Síria e no Líbano e diz ter assassinado Hariri por causa de seus laços comerciais com o governo da Arábia Saudita. No vídeo, os supostos militantes também dizem que o atentado foi suicida. Reações Apesar das acusações da oposição libanesa, o presidente da Síria, Bashar al-Assad, afirmou que o atentado é um "ato criminoso terrível". O governo dos Estados Unidos também condenou o ataque, dizendo que o Líbano deveria poder buscar um futuro político "livre da violência e livre da ocupação síria". O porta-voz da Casa Branca, Scott McClellan, disse, porém, que não estava tentando vincular a Síria ao atentado, acrescentando que o governo americano não sabe quem é o responsável pela operação, segundo a agência de notícias Reuters. A ex-metrópole colonial do Líbano, a França, cujo líder, presidente Jacques Chirac, tinha laços próximos com Hariri, pediu uma investigação internacional sobre o atentado. No ano passado, a França foi co-autora de uma resolução das Nações Unidas que pedia a retirada das tropas sírias do Líbano. Segundo a agência de notícias Reuters, Hariri continuou influente politicamente desde a renúncia e juntou-se aos pedidos da oposição para a retirada das tropas sírias do Líbano às vésperas de eleições gerais em maio. Kuwait, Egito, Jordânia, Autoridade Palestina, Grã-Bretanha e Arábia Saudita condenaram o assassinato desta segunda-feira em Beirute, segundo a Reuters. |
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