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Atualizado às: 19 de janeiro, 2005 - 11h48 GMT (09h48 Brasília)
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Chefe do Estado Maior do Exército britânico condena abuso
Imagem de suposto abuso de soldado britânico a prisioneiro iraquiano
Imagens foram mostradas em julgamento de três soldados
O chefe do Estado Maior do Exército britânico, general Mike Jackson, disse que "condena totalmente" abusos, num momento em que três soldados enfrentam acusações de maus-tratos a civis iraquianos.

Nove acusações contra integrantes do Regimento Real de Fuzileiros incluem forçar prisioneiros a simular atos sexuais em um acampamento que mantinha suprimentos de ajuda humanitária em Basra, no sul do Iraque, em maio de 2003, ou seja, poucas semanas depois que Saddam Hussein foi tirado do poder.

O soldado Darren Larkin admitiu uma acusação de agredir um homem desconhecido no acampamento, mas negou outra acusação.

Dois outros soldados - Daniel Kenyon, de 33 anos, e Mark Cooley, de 25 - declararam-se inocentes em uma corte marcial na base militar britânica em Osnabruck, na Alemanha.

"Comparação inevitável"

A corte marcial, que deverá durar de três a quatro semanas, realiza-se poucos dias depois que um soldado americano foi condenado a dez anos de cadeia por abuso de prisioneiros na prisão de Abu Ghraib, perto da capital iraquiana, Bagdá.

Charles Graner foi considerado líder de um grupo no centro do escândalo de abuso na cadeia.

O correspondente da BBC Paul Adams disse que era inevitável que algumas das pessoas nos meios de comunicação descrevessem o caso envolvendo soldados britânicos como "Abu Ghraib da Grã-Bretanha".

Mas é importante destacar "neste estágio extremamente prematuro" nos procedimentos legais que nada que se ouviu até agora indicou "uma característica institucional" que é um aspecto-chave do caso Abu Ghraib, disse Adams.

Na corte marcial, William England, que defendeu Larkin, disse que seu cliente estava envergonhado do ato no qual se admitiu culpado.

"Ele sabe que envergonhou seu orgulhoso regimento, seu nome e sua família", disse England.

O general Mike Jackson não comentou o caso diretamente, ou falou sobre as 22 fotos que mostram o suposto abuso de prisioneiros iraquianos tiradas pelas câmeras de cinco militares, que foram exibidas no tribunal.

Mas ele destacou que, dos 65 mil soldados britânicos que serviram no Iraque, apenas um "pequeno número" foi acusado de má conduta.

O general disse que o resultado da corte marcial será estudado para ver se ele traz à baila outras questões para o Exército.

Mike Jackson afirmou: "Eu tenho toda a confiança no sistema militar judicial e investigativo."

As fotografias incluem uma imagem de dois iraquianos nús simulando sexo anal com o polegar indicando "positivo" para a câmera e uma foto de dois iraquianos simulando sexo oral.

Os iraquianos seriam saqueadores detidos no acampamento no sul do Iraque depois de haverem tentado roubar leite em pó e outros alimentos.

As 22 imagens exibidas na corte marcial foram confiscadas pela polícia militar após um soldado ter levado um filme para revelar num loja perto de sua casa na Grã-Bretanha.

As fotos podem causar danos à imagem do país internacionalmente – sobretudo no mundo árabe, onde imagens parecidas de militares americanos maltratando detentos no presídio de Abu Ghraib alimentaram o ódio contra os Estados Unidos.

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