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Condoleezza Rice diz que 'a hora da diplomacia é agora' | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Condoleezza Rice, indicada pelo presidente americano George W. Bush para o posto de secretária de Estado, prometeu buscar o fortalecimento das relações entre os Estados Unidos e seus aliados. Durante uma sessão do Senado para confirmar a sua indicação para o comando da política externa, ela disse que agora "é a hora para a diplomacia". Segundo Rice, Washington deve "interagir com o resto do mundo por meio de uma conversa e não de um monólogo". "Devemos utilizar a diplomacia americana para ajudar a criar um equilíbrio de poder no mundo que favoreça a liberdade", declarou. Apesar de defender o diálogo e a diplomacia, ela voltou a indicar que Washington não descarta adotar ações unilaterais – ela sugeriu que os Estados Unidos não deixarão que seus tradicionais aliados ou organizações multilaterais impeçam ação "efetiva" americana. Brasil e América Latina Condolezza Rice citou o Brasil como um importante parceiro na América Latina. “Vamos continuar a trabalhar com o Brasil como co-presidente das negociações para a Alca (Área de Livre Comércio das Américas). Comércio é parte desta agenda. O Brasil é chave para a região”, afirmou Rice quando foi questionada pelo senador Christopher Dodd, sobre a política do governo para a região. “Precisamos de parceiros. O Brasil é um grande parceiro, mas outros também são”, afirmou. Mas os governos de Cuba e Venezuela não receberam elogios semelhantes. A secretária de Estado indicada descreveu Cuba como um local de tirania e demonstrou preocupação em relação à ligação entre os líderes de Cuba, Fidel Castro, e da Venezuela, Hugo Chávez. “É uma pena que o governo do presidente Chávez não tem sido construtivo. Nós temos sido vigilantes em mostrar que sabemos as dificuldades que este país está causando para seus vizinhos, com a associação com Fidel Castro e Cuba”, afirmou. Condolezza Rice acusou Chávez de causar dificuldades especialmente para a Colômbia, citando o caso do rebelde colombiano preso em território venezuelano - motivo de tensão diplomática entre Colômbia e Venezuela. Provocada por uma pergunta do senador Dodd sobre a melhoria de relações dos Estados Unidos com a Venezuela, Rice disse que os dois países têm uma relação antiga, e que tem sido dificultada pelo presidente Hugo Chávez. “Estamos muito preocupados com um governo eleito de forma democrática que não atua dessa forma e pratica ações contra a mídia, contra a oposição, que são realmente problemáticas”, disse, desta vez citando a Venezuela. “Temos que garantir que os países que assinam o capítulo democrático da OEA realmente o praticam. Em uma outra ocasião, sem citar diretamente a Venezuela, ela disse que espera trabalhar em conjunto com a Organização dos Estados Americanos (OEA), “promovendo uma agenda de desenvolvimento democrático, cobrando de governos que não atuam de forma democrática, mesmo que tenham sido eleitos democraticamente”. Segundo as declarações de Rice ao Senado, o comércio seria uma das maneiras de a América Latina alcançar mais democracia e desenvolvimento econômico. 'Hora da diplomacia' Apesar da pequena parte dedicada à América Latina, foi a guerra no Iraque e a necessidade de os Estados Unidos se reposicionarem diante do mundo que dominou a primeira parte da sabatina. Rice abriu seu depoimento dizendo que essa era “a hora da diplomacia”, e que os Estados Unidos precisam ouvir mais o que os aliados têm a dizer. “Os Estados Unidos devem ter um diálogo com o resto do mundo e não um monólogo", disse. “Os Estados Unidos vão unir a comunidade democrática”, afirmou, dizendo ainda que os países que estão do lado “correto” da liberdade tem a obrigação de compartilhar isso com os outros. Rice também enfrentou perguntas duras sobre a guerra no Iraque e sobre a alegação de o país tinha armas de destruição em massa. Ela disse que os Estados Unidos devem treinar mais iraquianos para que com o tempo eles possam cuidar sozinhos da segurança do país, mas se recusou a dar uma data para a retirada das tropas americanas. A reunião do Senado para decidir a aprovação, que é considerada certa também por senadores democratas, está marcada para quinta-feira à tarde, depois da cerimônia de posse de Bush. Oriente Médio Na opinião dela, enquanto o que chamou de "grande Oriente Médio" continuar a ser uma região de "tirania", os extremistas continuarão a ameaçar a segurança dos Estados Unidos e de seus parceiros. Rice – que até agora atuava no governo de George W. Bush como conselheira de Segurança Nacional da Casa Branca – acrescentou, porém, que há sinais positivos na região. Ela citou as eleições do Iraque (em 30 de janeiro) e o momento de oportunidade para o fim do conflito entre israelenses e palestinos. Indagada sobre um eventual cronograma para a retirada das tropas americanas do Iraque, ela disse não ser capaz de apresentar planos com datas no momento. "O objetivo é completar a missão. No momento estamos concentrados em garantir a segurança para a eleição (de 30 de janeiro)." As audiências de confirmação de Rice no Senado devem durar dois dias. Espera-se que não haverá obstáculos para a sua aprovação como sucessora de Colin Powell. Condoleezza Rice pertence ao círculo íntimo do presidente Bush e muitos a descrevem como praticamente parte da família do presidente. Ela elogiou Bush em vários momento durante a sessão do Senado, defendendo a atuação dele na "guerra ao terror" após os atentados de 11 de setembro de 2001. Além de falar bastante sobre o Oriente Médio, ela destacou ainda a necessidade de Washington continuar a tentar dissuadir o Irã e a Coréia do Norte de seus planos de desenvolver armas nucleares. O processo de aprovação de Rice como secretária de Estado ocorre na semana em que Bush inaugura o seu segundo mandato presidencial (nesta quinta-feira). |
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