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Número de mortos terá 'alta exponencial', diz ONU | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O número de mortos no oeste da Indonésia, país mais duramente afetado pelo tsunami na semana passada, ainda deve aumentar muito, disse o coordenador da ajuda humanitária da ONU, Jan Egeland. "O número de mortos vai crescer exponencialmente na costa oeste de Sumatra, nunca saberemos qual será o número final. Mas podemos estar falando em dezenas de milhares de mortes adicionais nesta área", declarou ele. Oito dias depois do tsunami que atingiu 12 países no sul da Ásia e na África, a ajuda humanitária começa a chegar às áreas mais remotas atingidas pelo tsunami. Na província de Aceh, na Indonésia, a região mais atingida, aviões militares da própria Indonésia, dos Estados Unidos, da Austrália e da Malásia estão começando a levar a ajuda da capital regional, Banda Aceh, para regiões mais distantes. As equipes de ajuda humanitária começam a encontrar menos dificuldade para trabalhar, mas a entrega dos recursos ainda é caótica, com voluntários inexperientes e artigos supérfluos chegando com mais freqüência. Egeland disse que a resposta internacional tem sido exemplar. "Vimos 2004 terminar com o pior da natureza e 2005 começar com o melhor da humanidade. Esperamos que este se torne o padrão para a resposta internacional à miséria e à tragédia." Nos Estados Unidos, os ex-presidentes Bill Clinton e George Bush (pai) vão liderar uma campanha para angariar doações para ajudar na reconstrução dos países atingidos pelo maremoto. As contribuições serão feitas diretamente a instituições de ajuda humanitária. Os dois ex-presidentes devem viajar pelo país participando de eventos e dando entrevistas incentivando os americanos a contribuir. O número total de mortos na tragédia já é de quase 150 mil, depois que as autoridades da Indonésia anunciaram que o número de mortos no país chegou a 94 mil. A principal preocupação continua sendo enviar ajuda aos sobreviventes da tragédia a Aceh. Neste fim de semana, helicópteros americanos começaram a levar comida e medicamentos às áreas mais isoladas da província. Porém a ausência de várias estradas e pontes, que foram levadas pela água, continua gerando dificuldade para se chegar em algumas regiões longínquas. Mais de 1,8 milhão de pessoas precisam de comida, e cerca de 5 milhões ficaram desabrigadas. Em Aceh, cerca de 12 helicópteros americanos foram deslocados para a costa oeste para o trabalho. "A única maneira de atingirmos as áreas mais remotas é de helicóptero", disse Michael Elmquist, chefe da equipe da Organização das Nações Unidas (ONU) que coordena a operação de ajuda na Indonésia. "Levará, provavelmente, duas semanas até que se restabeleça a comunicação por terra, permitindo que os caminhões cheguem nessas áreas", disse Elmquist. "Não excluo a possibilidade que alguns lugares não vão receber qualquer ajuda por duas semanas." Destruição A infra-estrutura de Aceh foi destruída pelo tsunami. Da Indonésia, um grupo de brasileiros está liderando uma campanha para arrecadar ajuda para as vítimas da província. Cerca de 20 famílias da comunidade brasileira em Jacarta (capital) estão arrecandando roupas, sapatos, remédios, colchões e utensílios de cozinha para os desabrigados. Embora alguma ajuda já tenha começado a chegar em Aceh, as operações estão sendo prejudicadas por causa da oposição do governo da Indonésia em permitir acesso ilimitado dos militares americanos ao local, diz o correspondente da BBC em Aceh Jonathan Head.
A região de Aceh é palco de uma longa disputa entre o governo de Jacarta e rebeldes que lutam pela independência da região. No Sri Lanka, os desentendimentos entre governo e rebeldes também estariam dificultando as operações de ajuda. O grupo rebelde dos tigres tâmeis do Sri Lanka queixou-se de que não vem recebendo ajuda suficiente do governo do país para atender as vítimas do tsunami. Na Tailândia, navios da marinha tailandesa e japonesa começaram a realizar buscas em alto mar por corpos de vítimas. A medida atende um pedido de diplomatas suecos, que acreditam que milhares cidadãos de seu país continuam desaparecidos. As operações de busca por terra estão tendo muito pouco sucesso. As autoridades na Tailândia afirmaram que as buscas por corpos de pessoas que morreram no maremoto que atingiu o país na semana passada vão continuar por mais pelo menos cinco dias. Na Índia, o governo já aumentou para perto de 15 mil o número de mortos com o maremoto. Mas acredita-se que o número ainda possa ser bem maior, dada a destruição de algumas áreas remotas e a quantidade de pessoas que ainda estão desaparecidas. Organizações internacionais de ajuda humanitária estão pedindo às autoridades nas ilhas de Andaman e Nicobar, na Índia, que lhes permita participar dos esforços para atender às vítimas. A entrada de estrangeiros em boa parte de Andaman é proibida por questões de segurança e também para proteger tribos aborígenes de influências externas. Um funcionário da Oxfam disse que isso faz com que um "tempo valioso" seja perdido no auxílio às vítimas. Dez anos Para a ONU, pode ser que nunca se saiba o número exato de mortos, porque muitos corpos foram levados pelo mar. O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, disse que as áreas atingidas pelo maremoto devem levar até dez anos para se recuperar. Annan falou da "dura complexidade" dos esforços para ajudar as vítimas da tragédia que afetou 12 países. Ele vai viajar para a Indonésia no dia 6 de janeiro para participar de uma reunião de líderes mundiais para discutir as melhores formas de ajuda. O secretário de Estado norte-americano Colin Powell viajou para a Ásia neste domingo para ver de perto os estragos causados pelo tsunami. Ele foi acompanhado pelo governador da Flórida, Jeb Bush, irmão do presidente George W. Bush, que tem lidado com a devastação deixada por vários furacões que atravessaram o Estado americano. |
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